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LinguagemImprimirDicionário critico

Oralidade

Maria Lucília Marcos

Viver é comunicar e a essência da palavra é falar. Há um primado histórico, cultural, educacional, existencial, da linguagem falada. É por ser capaz e ter necessidade de falar que a espécie humana inventou a vida política e o pensamento racional. Quando falamos, dizemos e fazemos mais do que quando escrevemos. Entre a escrita e a oralidade, há a mediação da leitura. O horizonte de toda a comunicação é o ‘outro', e o seu ideal é a reciprocidade do reconhecimento como condição tanto da consciência da identidade e do sentimento do valor pessoais como da convivência. As palavras são portadoras de histórias, de valores, de melodias, de sentidos, de olhares, de sorrisos, de amores... É preciso aprender a comunicar, para viver a cidadania e saber amar.

Palavras chave: 

Comunicação, no sentido corrente, é sinónimo de informação transmitida por mensagens verbais. Esta noção redutora foi consagrada pelo modelo telegráfico de comunicação nascido nos EUA em fins dos anos 1940, cuja fórmula mais elementar é o esquema emissor-mensagem-receptor. A Linguística, com «a obsessão pela cientificidade», escreveu Claude Hagège, foi levada «a revestir-se de um falso rigor», secundarizando «o homem de palavras», «o homem dialogal» [1].

 

Nos anos 50 e 60, novas abordagens do fenómeno da comunicação humana, designadamente a chamada Escola de Palo Alto, evidenciaram que toda a comunicação é metacomunicação, abrindo caminho a uma visão global, cultural, antropológica, da comunicação. Antropologia da Comunicação, expressão utilizada por Dell Hymes, pela primeira vez, num texto publicado em 1967, denomina «uma maneira de ler e de interpretar a vida em sociedade»[2], voltada para os aspectos para-verbais e não-verbais da comunicação, para as suas dimensões subjectiva, intersubjectiva e contextual. É uma abordagem de natureza principalmente etnográfica, isto é, no terreno, que inclui, designadamente, a Análise Conversacional ou das conversações quotidianas, bem como estudos comparativos das práticas de comunicação em diferentes sociedades (Pragmática Contrastiva).

 

Há mais de uma centena de definições de comunicação, que é objecto de estudo de cerca de duas dezenas de disciplinas abrangendo as neurociências, as ciências cognitivas e as ciências sociais. Por isso, Jacques Derrida perguntava, no princípio da sua intervenção num congresso sobre ‘A comunicação', há mais de três décadas: «É seguro que à palavra comunicação corresponda um conceito único, unívoco, rigorosamente controlável e transmissível: comunicável?». Com efeito, trata-se de uma palavra polissémica que «não se limita à semântica, à semiótica e ainda menos à linguística»[3]. Todavia, acrescentava, o seu «campo de equivocidade» pode ser «extensamente reduzido pelos limites daquilo a que se chama um contexto». É pertinente perguntar, aqui, também: Quais as coordenadas para abordar a oralidade, no mar do arquipélago das ‘ciências da comunicação', e para nele navegar sem perder de vista o contexto de comunicação (não propício a subtilezas académicas) em que se inscreve este texto?

 

Vamos começar por olhar para o passado e perspectivar, depois, alguns enjeux contemporâneos da oralidade.

«No princípio era o Verbo» - assim começa o Evangelho segundo S. João, enunciando o primado bíblico da palavra do Criador. «Toda a civilização antiga é uma civilização da palavra», disse Georges Gusdorf. «A emergência da humanidade pressupunha esta primeira revolução que constitui a passagem do mundo vivido ao mundo falado»[4] .

Etimologicamente, mito significa narrativa, e epopeia o acto de narrar. A Ilíada e a Odisseia, epopeias atribuídas a Homero, remontam a cerca de 1250 a. C., tendo começado por ser objecto de tradição oral, antes da sua fixação textual, no séc. VI a. C. As «tradições e expressões orais, incluindo a língua como vector do património cultural imaterial», estão incluídas na "Convenção para a salvaguarda do património cultural imaterial» adoptada pela Conferência Geral da UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em 2003 (Artigo 2.2.a).

 

A Filosofia, expressão primordial do pensamento racional, nasceu como diálogo, com Sócrates, protagonista dos Diálogos de Platão, embora Sócrates tenha sido, na realidade, mais «um ser de monólogo», como nota Gusdorf, sem desprimor, aliás, «pois o que é próprio do grande filósofo é justamente a incapacidade de se entender com outrem». Lê-se no Sofista de Platão: «Pensar e falar não serão a mesma coisa, com a diferença de que aquilo a que chamamos pensamento é um falar sem voz, interior, da alma em diálogo consigo própria?»[5] .

 

A palavra é também constituinte da politicidade, que é mais do que gregaridade. Como disse Aristóteles, no princípio da Política, «o homem é, por natureza, um animal político» porque «é o único animal com o dom da fala»[6]. A invenção da política é a invenção do espaço público, onde impera o poder da palavra, da arte da argumentação persuasiva (Retórica). A importância de saber falar em público, na democracia ateniense do séc. V a. C., suscitou uma necessidade a que responderam os sofistas, esses primeiros professores de ofício. Um sofista era «um especialista da habilidade oratória», lê-se no Protágoras de Platão, mas era «uma espécie de mercador que vende alimentos para alma»[7], sem preocupação pela verdade daquilo que ensinava.

 

Entra-se no espaço público, no dizer de Hannah Arendt, pelo «nascimento linguístico», segundo e verdadeiro nascimento humano. «Com palavras e actos nos inserimos no mundo humano, e esta inserção é como que um segundo nascimento, em que confirmamos e assumimos o facto nu da nossa aparição física original. [...] Uma vida sem palavra e sem acção [...] é literalmente morta para o mundo». É por isso que pertencer a um espaço público - lugar da pluralidade cívica, da singularidade da palavra inesperada e da acção significante - é um direito. Mais, é o direito de ter direitos (The Human Condition, 1958).

 

A liberdade de comunicação e de expressão foi considerada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, na sua primeira sessão (1946), como «a pedra de toque de todas as liberdades» (Resolução 59). Por isso, «o direito à liberdade de opinião e de expressão», que «inclui a liberdade de ter opiniões, sem interferência, e de procurar, receber e transmitir informação e ideias», sob todas as formas, foi proclamado pela "Declaração universal dos direitos do homem" (Nações Unidas, 1948), pela primeira vez (Artigo 19). Tornou-se um direito tão crucial, num mundo transfigurado pelas novas tecnologias da informação e da comunicação (TIC) e pela Globalização de que foram o motor, que a UNESCO acrescentou o termo ‘comunicação' à trilogia da sua denominação originária (educação, ciência, cultura). Na era digital, a redução da fractura digital - isto é, da desigualdade da repartição das TIC entre os povos e os indivíduos - tornou-se um imperativo de justiça e desenvolvimento.

 

Mas já em 1969 o Director da Divisão da Rádio e dos Serviços Visuais do Serviço de Informação das Nações Unidas (Jean d'Arcy) afirmava que, um dia, teria de ser reconhecido «um direito mais amplo: o direito do homem à comunicação»[8]. E em 1976 uma Conferência Intergovernamental sobre Políticas da Comunicação na América Latina e Caribe, organizada pela UNESCO em San José da Costa Rica, recomendou aos Estados o reconhecimento da existência de um "direito de comunicar", sendo a UNESCO convidada a preparar uma declaração sobre ele[9]. Tal direito ainda não existe, é juridicamente problemático, mas não pode ser excluído da «perfectibilidade sem fim do jurídico, porque justamente o apelo da justiça é infinito»[10]. Por conseguinte, há um primado histórico, cultural, educacional, comunicacional, existencial, da oralidade. Jean-Jacques Rousseau observou no seu Essai sur l'origine des langues (1781): «Exprimimos os nossos sentimentos quando falamos e as nossas ideias quando escrevemos. Ao escrever, somos forçados a utilizar todas as palavras na sua acepção comum; mas quem fala varia as acepções através da intonação, determina-as como quer [...]. Quando se diz tudo como se fosse escrito, não se faz mais do que ler falando». E mais à frente: «As primeiras histórias, as primeiras arengas, as primeiras leis, foram em verso; a poesia antecedeu a prosa; tinha que ser assim, já que as paixões falaram antes da razão». Claude Lévi-Strauss escreveu em Tristes trópicos (1955):

 

Uma das fases mais criadoras da história da humanidade situa-se no advento do Neolítico: responsável pela agricultura, pela domesticação dos animais e por outras artes. Para aí chegar, foi necessário que, durante milénios, pequenas colectividades humanas tivessem observado, experimentado e transmitido o fruto das suas reflexões. Este imenso trabalho desenrolou-se com um rigor e com uma continuidade comprovadas pelo sucesso, enquanto a escrita continuava desconhecida. [...] Pelo contrário, desde a invenção da escrita até ao nascimento da ciência moderna, o mundo ocidental viveu cerca de cinco mil anos durante os quais os seus conhecimentos flutuaram mais do que aumentaram. [...] No Neolítico, a humanidade deu passos de gigante, sem a ajuda da escrita [...].

 

Depois de afirmar que a escrita foi uma condição necessária, mas não suficiente, do desenvolvimento científico dos séculos XIX e XX, Lévi-Strauss constatava: «O único fenómeno que a tem fielmente acompanhado é a formação das cidades e dos impérios, isto é, a integração num sistema político de um número considerável de indivíduos e a sua hierarquização em castas e em classes. Essa é, em todo o caso, a evolução típica a que se assiste desde o Egipto até à China, quando a escrita surge: parece favorecer mais a exploração dos homens que a sua iluminação». E concluiu: «Se a minha hipótese estiver certa, é necessário admitir que a função primária da publicação escrita foi a de facilitar a servidão».

 

Seja como for, a escrita foi a «segunda grande inovação do homem»[11]. Tem um carácter representativo que historicamente evoluiu no sentido de uma crescente abstracção. Qual a diferença essencial entre linguagem escrita e linguagem falada?

 

A mais óbvia é esta: a escrita é «um meio de comunicação» que dilata no tempo «o campo da comunicação oral ou gestual», como disse Derrida, conferindo perenidade à palavra [12]. Mas uma característica essencial da linguagem escrita é a ausência, embora todo o signo seja, por definição, presença de uma ausência. A ausência, na linguagem escrita, é a dos leitores, no momento do escrever, e a do escritor, no momento do ler. É um desencontro. Em todo o caso, agora, no princípio está a escrita. Numa língua com escrita, a oralidade ‘natural', pura, é um paraíso perdido.

 

Entre a escrita e a oralidade, há a mediação da leitura. A leitura é um acto afectivo e geralmente solitário. Há um «ama-me presente em toda a escrita», disse Barthes, e um desejo nos leitores. «Infelizmente, a leitura ainda não encontrou o seu Propp ou o seu Saussure» - lamentava Barthes. O mesmo se diga da oralidade. Na opinião de Michel de Certeau e Luce Giard, «a conversação tem um estatuto teórico menor provavelmente por ser natural e necessária em toda a parte»[13]. Não obstante, quando falamos, dizemos e fazemos mais do que quando escrevemos. Viver é comunicar, e a essência da palavra é falar. A oralidade é, ao mesmo tempo, a interioridade e a exteriorização da escrita. É a vida das línguas e das comunidades e indivíduos que as falam. É a cidadania na pátria da língua.

No princípio da oralidade, está a corporalidade, o corpo-signo. Uma língua é um corpo de signos que faz corpo com quem a fala. Para Jacques Lacan, o sujeito do inconsciente é um sujeito de palavras. A psicanalista Françoise Dolto, autora de um livro intitulado Tout est langage (1987), dizia que quando a palavra se ausenta da boca é preciso procurá-la noutro lugar do corpo. O dizer quer ser visto e ouvido, quer dizer-se e dizer. Mas toda a densidade da oralidade está na presença, no encontro, na reciprocidade. O ‘outro' é o horizonte de toda a comunicação. No entanto, «um horizonte é, ao mesmo tempo, abertura e limite», observa Derrida que, embora protestando contra a utilização inflacionada e mecânica do termo ‘outro', se refere, em sintonia com Emmanuel Levinas, à «irredutibilidade infinita do outro». Sou «refém do outro»[14]. Por isso, na comunicação está em jogo, como recorda Jean-François Dortier, este imperativo fundamental: «construir uma sociedade fundada na aceitação do outro» (Dortier, 1997). Na verdade, sublinha Gusdorf, «toda a expressão tende a obter o reconhecimento de outrem»[15],  que é uma necessidade profunda de aceitação, de respeito, de valorização, de integração, de ser tratado pelo nome, etc. «Pode-se dizer mesmo que a busca de reconhecimento é, ao mesmo tempo, um dos motores inconscientes da comunicação e um dos processos fundamentais através dos quais se constrói a identidade pessoal»[16]. A reciprocidade do reconhecimento, na comunicação, é criadora e potenciadora de identidade e convivência. Nas tensões das alteridades, as palavras podem disparar setas de veneno ou soltar pombas brancas. A oralidade é, na bela expressão de Barthes, o «rumor da língua [...] o ruído daquilo que funciona bem [...] da fruição plural», ainda que seja «uma utopia».

O historiador romano Tácito, num texto escrito por volta do ano 80, escrevia: «o Império impõe-se e com ele a democracia da palavra desaparece». O nosso tempo é paradoxalmente um tempo de «hipercomunicação»[17], mas também de «declínio da palavra e da função que ela desempenha no progresso da civilização», segundo Philipe Breton (1999), que assinala a importância da educação na luta contra aquele declínio. A educação é, na realidade, a mais profunda e ressonante modalidade de comunicação, pelo seu poder humanizante ou desumanizante. Ora "A comunicação, é como o chinês, aprende-se"- diz ironicamente o título de um livro[18]. Aprender a comunicar é aprender a dizer o mundo, a dizer-se no mundo, a valorizar a palavra, a valorizar-se e a valorizar pela palavra, e também a comunicar sem palavras, no silêncio da interlocução... A escola, «antecâmara do espaço público»[19], é responsável por uma espécie de eugenismo semiótico quando negligencia o poder subjectivante e civilizador da comunicação. Na ausência de uma cultura comunicacional, ou se a comunicação é impedida e reprimida, resta a violência como forma de comunicação sem mediações simbólicas, a substituição dos actos de palavra pacíficos pela palavra dos actos violentos. Cornelius Castoriadis realçou: o enorme papel da educação e a necessidade de uma reforma radical da educação, para dela fazer uma verdadeira païdaïa, como diziam os gregos, uma païdaïa da autonomia, uma educação para a autonomia que leve aqueles que são educados - e não apenas as crianças - a interrogar-se constantemente para saber se agem com conhecimento de causa e não impelidos por uma paixão ou por um preconceito.

 

Tudo o que se passa durante a vida do indivíduo continua a formá-lo e a deformá-lo. A educação essencial que a sociedade contemporânea fornece aos seus membros, nas escolas, nos colégios, nos liceus e nas universidades, é uma educação instrumental, organizada essencialmente para aprender uma ocupação profissional. E ao lado desta há a outra educação, a das burrices que a televisão difunde.

Sem a inquietação da «interrogação ilimitada», própria da autonomia intelectual, sem competência comunicacional, sem consciência política nem capacidade cívica, o indivíduo fica «privatizado», fechado no seu pequeno mundo doméstico[20]. É conhecido o primado das dimensões moral e cívica da educação na República e nas Leis de Platão. Nas Leis, por exemplo, o termo ‘educação' é reservado para aquela que tem em vista a formação para a virtude e o exercício da cidadania. Por isso, «em princípio, os homens com um educação correcta tornam-se bons, e em parte alguma do mundo deve ser desprezada a educação porque, quando combinada com uma grande virtude, é um bem de valor incalculável [...] uma tarefa para a vida inteira que cada um deve assumir até ao limite das suas forças» [21].

Concluindo, com Michel de Certeau e Luce Giard, a oralidade:

Reclama o reconhecimento dos seus direitos, com razão, pois começamos a perceber mais claramente que o oral tem um papel fundador na relação com o outro. [...]

A oralidade constitui também o espaço essencial da comunidade. Numa sociedade, não há comunicação sem oralidade, mesmo quando nesta sociedade a escrita tem um grande papel, para a memorização da tradição ou a circulação do saber. O intercâmbio social requer um correlato de gestos e de corpos, uma presença das vozes e dos sotaques, toda uma hierarquia de informações complementares, necessárias para interpretar uma mensagem para além do simples enunciado [...]. Precisa desse grão da voz pelo qual o locutor se identifica e se individualiza, e desta modalidade de laço visceral, fundador, entre o som, o sentido e o corpo. [...]

Prioridade ao ilocutório, àquilo que não diz respeito nem à palavra nem à frase, mas à identidade dos locutores, à circunstância, ao contexto, à "materialidade sonora" das palavras conversadas. [22]

As palavras são signos imperfeitos, não são para tomar à letra, mas quando não são words, words, words (Hamlet, Cena II) são portadoras de histórias, de valores, de melodias, de sentidos, de olhares, de sorrisos, de amores... Para viver a cidadania e saber amar, é necessário aprender a comunicar. Cada ser humano precisa de saber dizer a sua palavra. Mas não há primeira nem última palavra. A nossa primeira palavra foi o nome com que os nossos pais nos desejaram, a última somos nós próprios.

 

Bibliografia

 

Lévi-Strauss, C. ,Tristes trópicos, Lisboa, Edições 70, 1955.

Lévi-Strauss, C. , Conservation, contrainte et culture, in UNESCO, Culture pour tous et pour tous les temps, Paris, 1984, 95-104.

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Castoriadis, C. , L'individu privatisé, Manière de voir 46 - Révolution dans la communication, Le Monde Diplomatique, 1999, Juillet-Août, 75-77.

Bougnoux, Daniel , Les territoires de la communication, Sciences Humaines - Hors Série - La Communication: état des savoirs, 1997, nº16, mars/avril, 12-15.

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Dortier, Jean-François,  "Les mystères de la communication", Sciences Humaines - Hors Série - La Communication: état des savoirs, 1997, nº16, mars/avril, 6-11.

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Rousseau, Jean-Jacques, Essai sur l'origine des langues - où il est parlé de la mélodie et de l'imitation musicale, 1781 (disponível em http://classiques.uqac.ca/classiques/Rousseau_jj/essai_origine_des_langues/origine_des_langues.pdf).

Marcos, Maria Lucília,  e Monteiro, A. Reis, Reconhecimento - do Desejo ao Direito, Lisboa, Colibri, 2008.

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Breton, Philipe, Déclin de la parole, Manière de voir 46 - Révolution dans la communication, Le Monde Diplomatique, Juillet-Août, 1999, 97-97.

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Barthes, Roland, O rumor da língua (‘Le bruissement de la langue', trad. de António Gonçalves), Lisboa, Edições 70, 1984.

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Marks, Stephen,  "UNESCO and Human Rights: The implementation of Rights relating to Education, Science, Culture and Communication", Texas International Law Journal, 1977, Vol. 13, nº1, 35-67.

Winkin, Yves, Anthropologie de la communication - De la théorie au terrain, Éditions De Boeck & Larcier S. A. / Éditions du Seuil, 2001.

 

 


[1] Hagège, 1985

[2] Winkin, 1996

[3] Derrida, 1972

[4] Gusdord, 1952

[5] 263e

[6] 1253a

[7] 312d, 313c

[8] cf. Fisher, 1984

[9] cf. Marks, 1977

[10] Derrida, 1994

[11] MacBride, 1980

[12] Derrida, 1972

[13] Certeau, Giard, Mayol, 1994

[14] Derrida, 1999

[15] Gusdorf, 1952

[16] Marc, 1997

[17] Lévi-Strauss, 1984

[18] A. Oger-Stefanink, 1967

[19] Bougnoux, 1997

[20] Castoriadis, 1999

[21] 644b

[22] Certeau, Giard, Mayol, 1994

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