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Pictograma

Teresa Castro

Desenhos figurativos representando seres, objectos ou acontecimentos, os pictogramas constituem um dos mais antigos métodos de comunicação. Não possuindo qualquer referente linguístico – isto é, não transcrevendo foneticamente a língua natural, ao contrário dos signos silábicos ou dos alfabetos - os desenhos esquemáticos e estilizados que formam os pictogramas são universalmente reconhecidos. Esta última característica explica o desenvolvimento contemporâneo da pictografia com o intuito de facilitar a transmissão de mensagens. Qualquer pessoa pode facilmente compreender que as silhuetas masculina e feminina colocadas sobre uma porta indicam e distinguem os sanitários masculinos dos femininos; os sinais de trânsito internacionais utilizam também todo um conjunto de pictogramas para veicularem eficazmente mensagens sem recorrer à linguagem. Tanto a dimensão icónica dos pictogramas, contida na etimologia da palavra, que combina o latim pictus (particípio passado do verbo pingere, pintar) com o grego –gramma (coisa escrita ou traçada), como a sua função comunicativa, são absolutamente essenciais.

Palavras chave: desenho; escrita; iconicidade.

Ainda que alguns especialistas hesitem em considerar a pictografia como uma verdadeira forma de escrita, os pictogramas são inseparáveis do desenvolvimento e da história desta última. As tabuletas sumérias realizadas na Mesopotâmia no quarto milénio a.-C. são assim habitualmente consideradas como uma forma de escrita pictográfica [Fig.1]. Motivados por imperativos económicos e de contabilidade, os pictogramas sumérios começaram por representar bens e mercadorias. Pouco a pouco, a associação de dois pictogramas (como o desenho de um pássaro e de um ovo) começou também a designar ideias (no caso do pássaro e do ovo, a de “fecundidade”), dando lugar ao aparecimento de ideogramas. No entanto, a grande revolução da escrita suméria dá-se quando os pictogramas e os ideogramas adquirem um valor fonético, ou seja, quando a certa altura o desenho de uma flecha, por exemplo, deixou de significar uma flecha para designar um som silábico, podendo ser combinado com outros signos para constituir palavras. A transformação da escrita pictográfica suméria num verdadeiro sistema fonográfico ocorreu por volta de 3000 a.-C., coincidindo com a adopção do grafismo cuneiforme.

Apesar deste exemplo, a pictografia não deve ser considerada como uma fase rudimentar da escrita. A ideia de que a
iconicidade da linguagem - isto é, o seu aspecto figurativo – é sinónimo de primitivismo e que a evolução da escrita se faz naturalmente em direcção do concreto ao abstracto é hoje activamente contestada. Inúmeras tribos norte-americanas recorreram a complexos sistemas pictográficos para comunicar, podendo a escrita de tipo pictográfico coexistir com sistemas fonéticos (casos da escrita chinesa e de algumas línguas pré-colombianas).

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