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Sonho - Imagem Onírica

Margarida Medeiros

O papel das imagens internas na vida psíquica, nomeadamente das que povoam os sonhos é sublinhado desde a Antiguidade, tendo servido de base para mitos e efabulações sobre o seu significado e papel. Ao longo do século xix, e até à fundação da psicanálise por Freud, o sonho era considerado, pela classe médica, como uma espécie de loucura temporária a que o sujeito estaria condicionado durante o período do sono. As imagens oníricas terão contudo um papel da maior importância a partir da teoria de Freud, tendo tido enormes repercussões em particular no mundo da arte, com o Surrealismo, em artistas como Georges Bataille, Max Ernst e André Breton.

Palavras chave: Psicanálise e Cultura; imagem mental; símbolo

No seu artigo sobre “O Significado dos Sonhos” (1901), Freud reconstrói a forma como ao longo dos séculos o sonho foi sendo considerado, prendendo-se, sobretudo, no modo como os seus contemporâneos médicos o desprezavam. A partir de Freud, o sonho ocupará um papel central no estudo da vida psíquica e emocional do sujeito, mas o que o preocupa fundamentalmente é «a questão do significado» (Freud 1901: 95), já que o essencial é estabelecer a continuidade entre os dois momentos da vida psíquica, a vigília e o sono, e compreender como, em cada uma deles, a estrutura do psiquismo opera.
Assim, a economia psíquica do sonho é a mesma que ocorre durante outros estados da vida psíquica, e o facto de as imagens do sonho terem um aspecto “ridículo”, incompreensível, irracional, é fundamental para o  seu papel. Sob um estado mais relaxado da censura egóica e superegóica, o inconsciente poder irromper na vida psíquica e permitir ao sujeito reviver alguns dos seus desejos e conflitos mais profundos. No entanto, o carácter de cenário confuso e desordenado apresentado regra geral nos sonhos, como a sua fragmentaridade e descontinuidade narrativa, é causado, segundo Freud, pela necessidade de disfarce dos conteúdos representados, que de outro modo seriam incompatíveis com um grau de consciência diurna, durante a qual operam o recalcamento e a censura.
Esta naturalização  dos sonhos na vida psíquica estivera também já na ordem do dia na segunda metade do séc. XVIII na Alemanha. De acordo com Doris Kauffmann (Kaufmann 2000), Karl Philipp Moritz editou, entre 1783 e 1793, a revista Magazin zur Erfahrungsseelenkunde ("Revista da experiência e conhecimento da mente"), dedicada ao conhecimento 'experimental' do funcionamento da alma, já que “as doenças do espírito” eram “muito mais variadas, perniciosas e difundidas do que qualquer mal-estar físico”( in Kaufman 2000, 70). A relação entre os estados físicos e psicológicos tornou-se um tema central de discussão pública no Iluminismo alemão, indiciada na preocupação com o estudo dos sonhos, que eram regularmente objecto de discussão e de interacção com os leitores nas páginas da revista citada.
Para Freud, as imagens no sonho são regidas por processos de condensação e deslocamento, aglutinando séries díspares de imagens e percepções individualmente reconhecíveis mas que, sob estes processos de disfarce, se tornam «irreconhecíveis» para o sonhador — permitindo-lhe preservar o sono. Por outro lado, o processo de figuração, responsável pela criação das imagens que povoam os sonhos, é fundamental para a compreensão da sua estrutura visual, enquanto a simbolização do sonho permite o investimento na figura de certas ideias específicas, consoante o contexto narrativo do sonho e da vida psíquica do sonhador.
Esta teoria dos sonhos funcionaria, para Freud, como um dos eixos principais do seu tratamento dos pacientes no divã, já que, através da associação livre, o sonhador poderia chegar ao significado latente do sonho e compreender enfim o seu pleno significado inconsciente.
A
clivagem entre vida consciente e inconsciente, sobre a qual assenta a teoria freudiana do Sujeito, está pois intimamente ligada ao estudo do significado das imagens oníricas. O impacto desta visão do sujeito, onde à racionalização do Ego se opõe uma dimensão pulsional e inconsciente, foi extremamente importante no início do século, como fonte de inspiração para correntes artísticas como o primitivismo e o surrealismo, que usaram o imaginário da psicanálise e da sua teoria dos sonhos como material temático para a s suas explorações do sujeito para além do discurso lógico e racional. Embora Freud se tenha demarcado das utilizações «ilustrativas» da sua teoria dos sonhos, na sua correspondência com Breton, o líder do movimento surrealista continuaria a explorar, de forma militante, as ideias da psicanálise freudiana como forma de inspiração. Muitos dos pintores que integraram este movimento, como Max Ernst, Salvador Dali e Luís Buñuel ou René Magritte, produziram obras onde certos conteúdos popularizados pela psicanálise, nomeadamente relacionados com imagens da analidade ou de pulsões de morte, são expressamente tematizados. Assim, pode afirmar-se que a imagem onírica, ao mesmo tempo que se tornou objecto de uma investigação científica revolucionária no campo da Psicologia, também influenciou fortemente os movimentos de vanguarda artística das primeiras décadas do século XX, nomeadamente na convocação da dimensão mais primitiva e pulsional do ser humano, na medida em que esta se pode traduzir em imagens.
O impacto dos estudo psicanalíticos dos sonhos surge glosado no cinema, por exemplo, em "Spellbound" (1945), de Alfred Hitchcock, no qual os sonhos do personagem principal, cuja análise é uma peça fundamental da intriga, foram concebidos por Salvador Dali, que, por sua vez, com Luis Buñuel, realizara em 1929 o filme surrealista "Le Chien Andalou".


Bibliografia

Freud, Sigmund, “Sobre os sonhos” (1901). Textos Fudamentais de Psicanálise, vol I. Lisboa: Publicações Europa-América, 95-139.

Freud, Sigmund, (1900)  The Interpretation of Dreams, The Standard Editions of the Complete Works of Sigmund Freud by

James Strachey. London: The Hogarth Press and the Institute of Psycho-analysis, 1953.

Doris Kaufman, “Dreams and self-consciousness”, in Lorraine Daston, Biography Of Scientific Objects. Chicago e Londres: Chicago University Press, 2000, 86-113.


Recursos audio-visuais

Hitchcock, Alfred (1936) Spellbound
Dali, Salvador e Luis Buñuel, Le Chien Andalou, 1929.


Recursos na www

http://it-it.facebook.com/video/video.php?oid=36992319768&v=1006206525857
http://www.youtube.com/watch?v=dzxlbgPkxHE&feature=related
http://www.psychwww.com/books/interp/toc.htm
http://www.answers.com/topic/surrealism-and-psychoanalysis
http://www.magritte.be

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