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Interface

Cristina Sá

O interface é um sistema ou dispositivo através do qual entidades não relacionadas podem interagir. Decorrendo directamente desta definição, pode-se concluir que o interface terá algumas características das entidades que coloca em relação, uma vez que é o agenciador da interacção entre elas. Por outro lado, o interface é mais do que esse espaço relacional que traz agarradas as propriedades dos sistemas que coloca em ligação: é uma entidade em si, com características próprias que podem não existir em cada um dos sistemas isoladamente, mas que emergem do seu relacionamento. Neste sentido, o interface deixa de ser um elemento neutro e assume-se como um mediador, capaz por si só de produzir ou moldar a experiência.

Palavras chave: cibercultura, artes tecnológicas, imagem virtual

A área de Human-Computer Interaction (HCI) tem estudado sistematicamente os interfaces entre o homem e o computador. Essa análise é muito útil na construção de uma definição de interface mais abrangente, tendo sido fundamental na busca das características conceptuais que se apresentam de seguida.

O interface tem extensão (volume), é um espaço híbrido onde se sintetizam heterogeneidades provenientes das entidades colocadas em relação[1]. É uma zona de articulação, fricção, troca e passagem entre diversas concepções do mundo[2].

O interface faz a tradução entre essas concepções: no caso do homem-computador, cabe-lhe fazer o movimento de passagem[3], quer de actuações físicas (corporais) do utilizador em parâmetros digitais, quer de registos numéricos (por exemplo, uma imagem digital) em estímulos sensoriais. É, por conseguinte, no interface que se espelha cada possibilidade da peça interactiva, fruto da combinação da acção do utilizador com o processamento do computador.

Cada vez mais se procura a interacção por meio de gestos “naturais” e por estímulos multi-sensoriais, com vista à imersão do utilizador[4]. Esta tendência leva a que por vezes se aponte como objectivo final a criação de interfaces transparentes (dissimulados). Mas na realidade, para haver imersão, não basta haver a possibilidade sensível de aceder “ao lado de lá”, tem de haver a pulsão para o fazer. Este desejo de imersão implica que o utilizador se identifique com o que percepciona no interface, obrigando a alguma opacidade reflectora deste último. Assim, paradoxalmente, o interface terá de ser em simultâneo uma janela plástica de acesso ao mundo virtual e um dispositivo especular que reflecte e atrai o utilizador[5].

O interface inscreve-se no tempo, é através dele que se articulam os momentos de interacção (acção, processamento, interpretação, cálculo), conferindo-lhes uma simultaneidade ilusória, garantindo um ritmo bio-digital adequado. Cada instância do interface é a cartografia de escolhas passadas, de concretizações presentes e de possibilidades abstractas futuras.


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[1] Sá, Cristina, «Design e Interfaces», in As Artes Tecnológicas e a Rede Internet em Portugal, Cruz, Maria Teresa e Gomes Pinto, José, Vega, 2009, p. 38
[2] Longavesne, Jean-Paul, «Esthétique et Rhétorique des Arts Technologiques, Les machines interfaces», in Interfaces et Sensorialité: Esthétique des Arts Mediatiques, Poissant, Louise, Presses de l'Université du Québec, 2003, p.40
[3] Renaud-Alain, Alain, «L’Interface Informationnelle ou le Sensible au Sens de l’Intelligible», in Interfaces et Sensorialité: Esthétique des Arts Mediatiques, Poissant, Louise, Presses de l'Université du Québec, 2003, p.75
[4] Longavesne, Jean-Paul, Ibidem, p.41
[5] Bolter, J. D. and D. Gromala, Windows and Mirrors: Interaction Design, Digital Art, and the Myth of Transparency, MIT Press, 2003

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