Warning: mysql_real_escape_string(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/DataSource.php on line 92 Warning: mysql_query(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/Ligacao.php on line 103 Warning: mysql_real_escape_string(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/DataSource.php on line 92 Warning: mysql_query(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/Ligacao.php on line 103 Côa

ImagemImprimirDicionário critico

Imagem Mental

José Gomes Pinto

A imagem mental é um dos modos de existência possível das imagens. Refere-se a uma imagem produzida pelo homem enquanto sujeito cognitivo, mas pode assumir-se também como objecto de contemplação interior e completamente desligada do mundo exterior. A imagem que qualquer individuo faz de si mesmo, a que a tradição chamou de apercepção, é um exemplo de uma imagem com conteúdo cognitivo, mas para a qual não existe qualquer possibilidade de lhe fazer corresponder um objecto no mundo, um objecto exterior ao indivíduo e passível de ser percebido por todos os homens. Fala-se também, desde a tradição do pensamento ocidental, na noção de imagem natural, referindo-se esta à possibilidade de uma imagem mental de carácter universal. Também a psicanálise procurou encontrar uma unidade real para uma imagem cuja modalidade de existência é a da singularidade. Os arquétipos propostos por Carl Gustav Jung são disso o maior exemplo.

Palavras chave: realismo, sonho-imagem onírica

A imagem mental, tomada como imagem natural ou proto-imagem, deveria constituir-se como o princípio de toda a vida mental dos sujeito. De resto, a constituição de qualquer possibilidade de ligação entre os indivíduos, depende da possibilidade, artificial ou não, de as imagens mentais poderem ser partilhadas pelos indivíduos entre si, ou o que é o mesmo, de um sujeito poder aceder à consciência do outro. A necessidade da realidade da imagem mental, tenha ou não esta qualquer relação com o mundo exterior, revela-se no seguinte argumento: sem a existência de sujeitos, a existência das imagens é impensável, bem como sem a existência de mundo exterior ao sujeito, também a imagem não é possível. É aqui, por exemplo, que as análises de Descartes ao problema da dúvida encontram o seu fim. Não pode haver formação de imagem, por mais abstrusa que ela seja, que não possa corresponder, em última instância, ao mundo real, exterior do sujeito.

A imagem mental levanta ainda o problema da dupla existência. Toda a imagem tende a anular a distinção que existe entre a existência dos objectos na representação e a existência dos objectos fora da representação. A noção de existência é concomitante à noção de imagem, não podendo a imagem separar, per se, a existência interna dos seus elementos e a existência externa destes. Isto leva a que o problema da identidade entre as imagens mentais se levante. De cada vez que uma imagem se faz presente, de cada vez que ela se manifesta ao sujeito, a possibilidade de determinação da sua existência é meramente singular e não universal. Isso significa que a produção de uma ideia universal para o todo heterogéneo das imagens mentais, é também ela uma mera imagem mental e, por tanto, escapa a todo o desejo de prova da sua existência. A existência do que quer que seja, somente se dá na imagem, na imagem mental, mas esta pede, por necessidade, a assumpção da existência de um objecto exterior a ela, pondo em evidência os modos de existência, interno e externo, da própria imagem. Esta é a razão que leva David Hume, um dos primeiros pensadores em dar-se conta desta duplicidade, a fazer a seguinte afirmação: “nada do que possamos imaginar é absolutamente impossível”. Todo o conhecimento do mundo fundado na imagem mental, não há outro, pertence sempre ao domínio da imanência.

© CÔA Todos os direitos reservados© All rights reserved