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Háptico

Susana Nascimento Duarte

O devir háptico da visão permite dar conta do que domina a nova experiência perceptiva inaugurada, na modernidade, com o aparecimento das imagens-técnicas, ou seja da fotografia e do cinema. O conceito de háptico surge como figura privilegiada para dar visibilidade a um novo modo de adesão às imagens que resulta de uma força de contacto que delas emana indissociável dos respectivos dispositivos técnicos que as permitem.

Palavras chave: espectador; imagem técnica; fotografia; percepção; interface

Assim, por exemplo, no cinema, tal como o diagnosticou Walter Benjamin, a câmara do cinematógrafo, a montagem e certos procedimentos e dispositivos especificamente cinematográficos, como o grande-plano e o zoom, conduzem o olhar do óptico ao háptico e apontam para um funcionamento das imagens enquanto estímulos que se estendem a todo o corpo, dando origem a uma percepção onde a dimensão óptica se vê dobrada de uma dimensão táctil, obrigando a uma reorganização do pensamento estético e das relações tradicionais entre o observador e a recepção das imagens.

As
imagens-técnicas mostram que a concepção tradicional da estética, assente no paradigma da representação, aplicada às formas arte-factuais, símbolos e obras, quando estas começam a ser penetradas pelos dispositivos técnicos de reprodução automática, não pode ser desligada de uma estética do sensual. Por sua vez, as novas tecnologias digitais e os espaços de imersão e interacção que fazem nascer, favorecem ainda mais um modelo háptico de relação com as imagens; já não é só a imagem que faz contacto, mas é também o espectador que age sobre ela. É assim que háptico é o termo actualmente utilizado para caracterizar as tecnologias que aparelham o corpo do utlizador com interfaces e próteses técnicas que estimulam mecanicamente, através da aplicação de forças e vibrações, o sentido do tocar.

Seja em ambientes virtuais, seja nos ecrãs que o ligam à internet, o utilizador pode experimentar sensações tácteis, sensações de força ou de resistência sobre a mão quando empurra ou move objectos no ecrã, sensações realistas em que sente o peso e a forma de um dado objecto, ao tocar e manipular, por exemplo, um modelo tridimensional digitalizado. No entanto, se este tocar digital permite manter intacta uma orientação objectiva, tal não se traduz numa experiência directa de proximidade, pois não seriamos tanto nós a aproximarmos-nos das coisas, como os circuitos electrónicos a determinarem e a controlarem a sua insinuação ao tocar. É este contacto espaçado, mas que continua a sentir-se a tocar por intermédio do suplemento da técnica, que permite ao corpo abandonar a sua posição de espectador de cinema que observa a uma certa distância física as imagens que desfilam perante si.

Quando o corpo é colocado num processo de interface, por via do sentido do tacto, com simulações computacionais e
animações virtuais, a relação de interacção do utilizador com as imagens digitais que estão na base daquelas, deixa de estar maioritariamente orientada por questões de visão, óptica e indexicalidade da imagem, para se localizar na própria percepção do corpo enquanto agente da experiência de se ver e sentir a si próprio ver e sentir. O háptico torna-se, assim, na nossa contemporaneidade, sinónimo da instauração de um acesso multissensorial às imagens, em que estas dão menos a ver, do que a experimentar uma tangibilidade próxima da vida.

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