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ImagemImprimirDicionário critico

Daguerreótipo

Teresa Castro

Processo fotográfico inventado por J. M. Louis Daguerre em 1839 - e apresentado nesse mesmo ano por François Arago à Câmara dos Deputados e à Academia das ciências francesas - , a daguerreotipia permite fixar uma imagem obtida em câmara escura sobre uma placa metálica. Tal como a heliografia de Nicéphore Niepce, a daguerreotipia é um processo fotográfico sem imagem negativa. Mas, e contrariamente à primeira, a invenção de Daguerre revelou-se suficientemente fiável para ser comercializada.

Palavras chave: automatismo da imagem; fotografia; imagem técnica

Num discurso que se tornou famoso [1], o cientista e político francês François Arago convenceu os seus pares da genialidade desta invenção e da necessidade de a reconhecer como sendo de “de utilidade pública”. Caindo de imediato no domínio público, a comercialização do daguerréotipo é um sucesso imediato, dando origem, em França, a uma verdadeira vaga de “daguerreotipomania” [Fig. 1]. Em 1841, ter-se-ão vendido, apenas em França, cerca de dois mil aparelhos [Fig. 2] e meio milhão de placas. Rapidamente, surgem também os primeiros estúdios fotográficos, onde se podem realizar retratos em menos de um minuto, depois de ultrapassadas algumas dificuldades técnicas iniciais (em particular um tempo de pose muito longo). Em soma, a invenção de Daguerre veio revolucionar radicalmente a prática fotográfica.

Uma das práticas mais importantes associadas à daguerreotipia é, precisamente, a do retrato
[Fig. 3]. Maravilhados com a precisão e a nitidez da imagem fornecida pelo daguerreótipo, os primeiros clientes dos estúdios fotográficos procuravam imortalizar a sua imagem e a dos seus próximos. Por razões económicas evidentes (e antes que a competição entre fotógrafos e outros avanços técnicos baixassem o preço dos daguerreótipos), a grande maioria dos clientes destes estúdios pertencia à burguesia. Pouco depois da invenção do daguerreótipo, estas imagens tornaram-se num elemento essencial de qualquer interior doméstico burguês. Estes retratos de família (incluindo muitas vezes daguerreótipos de parentes falecidos subitamente) são simultaneamente uma forma de afirmar o estatuto social e de criar uma galeria genealógica de imagens, capaz de compensar, de alguma forma, a ausência de antepassados ilustres. Estes daguerreótipos situam-se assim numa tradição pictural particular, associada à pintura de retrato (em particular, aos retratos miniaturas).

A fotografia de viagem constitui outro domínio de aplicação do daguerreótipo. Utilizado para imortalizar paisagens e monumentos, o daguerreótipo contribui para a disseminação das imagens do mundo, estando associado às vogas do Grand Tour ou do orientalismo, por exemplo. Vários álbuns de daguerreótipos (reproduzidos sob a forma de litografias ou águas-fortes, por exemplo) são rapidamente publicados, como as Excursions daguerrienne: vues et monuments les plus remarquables du globe de Noël Marie Paymal Lerebours (1842)
[Fig. 4]. Alguns editores não hesitam em acrescentar a esta imagens figuras humanas, raramente captadas nos daguerrótipos de viagem devido ao seu longo tempo de pose. Este elemento, bem como a impossibilidade de reproduzir o daguerreótipo a partir de uma imagem negativa, explica a decadência progressiva deste processo (apesar do seu sucesso inicial em inúmeros países, como os Estados Unidos). Frágeis e irreproduzíveis (dependendo de técnicas gráficas que colocam em causa o automatismo da imagem), os daguerreótipos são progressivamente substituídos por outros processos a partir de 1855.

[1] Arago, François et al., Rapport sur le daguerréotype, La Rochelle, Rumeur des Âges, 1995.

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