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Cinético

Teresa Castro

Se a cinética – do grego kinêtikos (móvel, que produz movimento) – se refere desde finais do século XIX a um ramo da física mecânica que estuda o movimento dos corpos e a sua relação com as forças que produzem, o termo também é utilizado no vocabulário estético. Designando, de forma geral, todas as manifestações artísticas cujo princípio de estruturação seja a questão do movimento, real ou aparente, a arte cinética diz respeito, num sentido mais restrito, a uma corrente das artes plásticas informalmente constituída a partir de meados dos anos 1950.

Palavras chave: espectador; percepção; arte e técnica.

A arte cinética encontra-se associada à exposição Le Mouvement (1955), que reuniu na galeria Denise René em Paris trabalhos de Victor Vasarely, Robert Jacobsen, Jean Tinguely, Jesus Rafael Soto, Pol Bury e Yaacov Agam, bem como ao “Manifesto Amarelo”, publicado na mesma ocasião.

Naum Gabo já tinha utilizado a expressão “rítmicos cinéticos” em 1920, a propósito da sua primeira escultura móbil (Construção cinética, 1919-20)
, László Moholy-Nagy utilizando de forma intermitente o adjectivo “cinético” durante os oito anos de elaboração do seu Modulador de luz (1930). Na verdade, tanto Gabo como Moholy-Nagy se contam entre os precursores da arte cinética entendida enquanto movimento artístico, a par de Vladimir Tatlin, Marcel Duchamp, Umberto Boccioni ou Giacomo Balla. Os autómatos, móbiles, marionetas mecânicas, filmes e mesmo pinturas realizados por estes artistas revelam não só um interesse pela questão do movimento (preocupação que remonta à arte pré-histórica), mas também uma vontade de ultrapassar o primado estético da forma. Uma das mais importantes contribuições da arte cinética situa-se, precisamente, nesse domínio, para a qual concorre a integração do espectador na obra. Dinâmica por definição, a obra de arte cinética exige a participação do espectador enquanto construtor ou activante do movimento, quer ele seja real ou induzido opticamente. Nesse sentido, o cinetismo constitui também uma poderosa reflexão sobre o estatuto da obra de arte e a questão da percepção.

Movimento heterogéneo (ilustrado em Portugal por nomes como Eduardo Nery, Nadir Afonso ou René Bertholo), a arte cinética desenvolveu-se consideravelmente durante a década de 1960, prolongando não só as pesquisas dadaístas e construtivistas sobre o movimento, mas aproximando-se também de outras problemáticas, como as relações entre
arte e tecnologia e a questão da interactividade. Se a importância do movimento decresceu a partir da década de 1980, o seu impacto na arquitectura e no design foi - e é ainda - considerável.


Bibliografia

Bann, Stephen et alia, Four Essays on Kinetic Art (St Albans, Motion Books, 1966)
Pierre, Arnauld (dir.), L'Oeil moteur. Art optique et cinétique, 1950-1975 (Strasbourg, Les Musées de Strasbourg, 2005).
Popper, Frank, Naissance de l'art cinétique (Paris, Gauthier-Villars, 1967).
Popper, Frank Art of the Electronic Age (Londres, Thames & Hudson, 1993).

Recursos na www:

Kinetica Museum, Londres.
Kineticus
(plataforma dedicada à arte cinética).
Representing Motion: Futurist Techniques and Examples.

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