Toda a cultura é o resultado de uma diferença originária relativamente à natureza, absolutamente contingente, mas fatal pelo facto de ter ocorrido. Essa diferença tem uma origem mais lógica do que histórica. De facto, não é possível retraçar empiricamente as origens, até porque o que resta da pré-história é uma ínfima parte da vida, a mais durável e inscrita ou feita na pedra. Trata-se de uma parte ínfima e fragmentária. Esse carácter fragmentário não é uma falha ou limitação, pois a cultura é em si mesma a inscrição de formas particulares e concretas na Terra. Não surpreende, portanto, a intensa metaforização em torno de alguns elementos, como a floresta ou a árvore, ou a caverna ou, noutra ordem de ideias, os reflexos e sombras. A temática da cabana inscreve-se numa mitologia da floresta e numa mitologia das origens, para além de constituir um elemento perene da arquitectura que parece vir do paleolítico, até à contemporaneidade.