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CulturaImprimirDicionário critico

Globalização

Cláudia Álvares

A globalização designa um processo de crescente interdependência à escala internacional aos níveis político, económico, social, cultural e comunicacional. Se por um lado as organizações supranacionais bem como os fluxos económicos do capital globalizado põem em causa as fronteiras do Estado-Nação, por outro lado a velocidade da comunicação electrónica ameaça um tempo e espaço estritamente delimitados, introduzindo a instantaneidade da experiência humana. No entanto, à medida que o mundo se torna crescentemente globalizado, a busca de significados tem conduzido a um enraizamento da identidade, resultando na criação de bolsas insulares. A aldeia global de McLuhan, que era tida por reconduzir a percepção humana a um estádio sintestésico – de maior equilíbrio entre os cinco sentidos –, permanece assim condicionada por desigualdades na distribuição do capital, no acesso às novas tecnologias e na sua utilização dentro de uma determinada comunidade.

Palavras chave: cultura, velocidade, religião, modernidade.

A globalização designa um processo de crescente interdependência à escala internacional aos níveis político, económico, social, cultural e comunicacional. A formação de organizações regionais e supranacionais impossibilita que na actualidade se pense qualquer sociedade em termos de uma dinâmica estritamente interna, pondo em causa os conceitos clássicos de Estado-Nação soberano e de identidade nacional. Essa erosão de um espaço e tempo delimitados remete para uma ‘aldeia global’ que se caracteriza pela simultaneidade espácio-temporal decorrente da velocidade da comunicação operada por meios electrónicos, facilitando a ligação entre indivíduos que não habitam o mesmo espaço físico (McLuhan, 1964: 3, 138). Experimentam-se quase instantaneamente os efeitos da acção humana a uma escala global, tal como se ocorressem nos contextos em que se está inserido.

Se tal situação pode conduzir o indivíduo a assumir responsabilidade pelo mundo em que vive ao nível globalizado, superando assim a sua comunidade local, pode também simbolizar o entrelaçamento de local e global que caracteriza a chamada ‘glocalização’ (Wellman, 2002). À medida que o mundo se torna crescentemente globalizado e interdependente, a busca de significados tem conduzido a um enraizamento da identidade, resultando na criação de bolsas insulares (Castells, 1996: 3-4). Com efeito, num contexto de crescente permeabilidade das fronteiras nacionais, assiste-se a múltiplas manifestações de conflitos étnicos, fundamentalismo religioso e nacionalismo exacerbado. Não se compreende como é que as velhas modalidade de especificidade cultural – entre as quais a religião e o nacionalismo – têm sobrevivido ao racionalismo iluminista da modernidade. O que se testemunha é que as formas mais aperfeiçoadas do capitalismo moderno à escala global estão constantemente a dividir as sociedades em sectores avançados e menos avançados, num processo sem fim (Hall, 1991: 30).

A globalização surge assim como um fenómeno não homogéneo, pois no seu interior subsistem periferias resistentes ao descentramento globalizado. A aldeia global de McLuhan partira do pressuposto de que os media electrónicos teriam a capacidade de unir e retribalizar a humanidade, assinalando o regresso aos modos colectivos de percepcionar o mundo. Surgindo como extensões do sistema nervoso central humano, os meios electrónicos proporcionariam uma percepção sinestésica, isto é, um maior equilíbrio dos cinco sentidos que desmoronaria a linearidade e individualidade da era moderna, regida pelo predomínio do visual (1964: 110-11). Constatamos, no entanto, que desigualdades na distribuição dos fluxos de capital globalizados podem condicionar o acesso às novas tecnologias bem como a sua utilização no seio de uma determinada comunidade.

Bibliografia

Castells, Manuel – “Prólogo: A Rede e o Self”, in A Sociedade em Rede, trad. Alexandra Lemos et al. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2002 (1996).

Hall, Stuart – “The Local and the Global: Globalization and Ethnicity”, in Anthony King (org.) Culture, Globalization and the World-System. Londres: Macmillan, 1991.

McLuhan, Marshall - Understanding Media: The Extensions of Man. Nova Iorque: McGraw-Hill, 1964.

Wellman, Barry – “Little Boxes, Glocalization, and Networked Individualism”, in Makoto Tanabe et al. (org.) Digital Cities II. Berlim: Springer-Verlag, pp. 11-25, 2002.

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