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CulturaImprimirDicionário critico

Museu

Pedro de Andrade

Os museus mostram-se hoje extremamente variados e não existe sempre um consenso quanto ao que esta instituição é ou deverá ser. No entanto, o ICOM (International Council of Museums), a mais prestigiada organização internacional na área dos museus e dos seus profissionais, delimita assim o museu: “...instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que executa pesquisas sobre os testemunhos materiais do homem e do seu ambiente, adquire-os, conserva-os, comunica-os e nomeadamente expõe-os tendo em vista o seu estudo, aprendizagem e fruição”.

Palavras chave: cultura, turismo/património, cultura visual.

Os museus mostram-se hoje extremamente variados e não existe sempre um consenso quanto ao que esta instituição é ou deverá ser. No entanto, o ICOM (International Council of Museums), a mais prestigiada organização internacional na área dos museus e dos seus profissionais, delimita assim o museu: “...instituição permanente, sem fins lucrativos, ao serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que executa pesquisas sobre os testemunhos materiais do homem e do seu ambiente, adquire-os, conserva-os, comunica-os e nomeadamente expõe-los tendo em vista o seu estudo, aprendizagem e fruição”. Outras definições sublinham a necessidade de o museu se dotar de rendimentos próprios, para fazer face à diminuição progressiva de subvenções por parte do Estado.

1. O que é um museu?

Origem da instituição e do termo: a instituição museal fundou-se, desde a antiga Grécia, nas colecções de monarcas, do clero, da nobreza ou de particulares. O museu moderno é caracterizado pela abertura destas e doutras colecções a um público alargado, através, essencialmente, de exposições permanentes e temporárias, ou de eventos complementares. O termo ‘museu’ deriva da palavra grega mouseion, de onde se formou o vocábulo latino museum e as diferentes variantes lexicais nas diversas línguas nacionais.

Tipos de museus (principais): o museu de arte; o museu de ciências humanas (histórico, arqueológico, antropológico, etc.); o museu de ciências naturais; o museu de ciências e técnicas; o ecomuseu, e, mais recentemente, o museu virtual. O ecomuseu, projecto sugerido pelo francês Georges Henri Rivière, situa-se fisicamente no próprio local dos objectos ou actividades que apresenta aos seus visitantes. O centro de arte constitui uma classe à parte, que reescreve as próprias regras da difusão da arte.

O saber especializado sobre o museu constitui a museologia. A nova museologia é a sua versão mais recente, baseada nas ideias de ‘ecomuseu’ e ‘centro de arte’, entre outras.

2. Quais os objectivos e actividades principais de um museu?

Apresentação de exposições: o propósito fundador do museu é a publicitação de obras, objectos e actividades humanas ou naturais. Este objectivo pôde ser concretizado nomeadamente a partir do século XVIII, através da nacionalização do património (turismo e património) cultural (colecções, etc.) pertencente às classes dominantes do Antigo Regime.

Diversas estratégias de comunicação expositiva trabalham no seio do museu, não só quanto aos seus objectos, mas igualmente em torno dos textos e hipertextos neles escritos e inscritos, bem como nos eventos que os dinamizam. De entre as grelhas de informação facultadas pela equipa museal, sobressaem as legendas de obras, os catálogos, os cartazes, etc. Neste espaço comunicativo do museu ocorrem, cada vez mais, actividades e negociações interactivas, em suportes clássicos ou em multimédia.

Conservação do património: o museu deve igualmente reunir, organizar, proteger e recuperar o seu espólio. Assim fazendo, a instituição preserva uma memória colectiva que pode desenvolver uma espécie de cidadania cultural exercida pelo visitante do museu.

Investigação: muitos museus realizam pesquisas, por meio dos seus profissionais ou de colaboradores externos. Uma tal reflexão pode tomar a forma de investigação fundamental ou de fundo (estudo de colecções, escavações arqueológicas, etc.), ou aplicada à preparação de determinadas exposições temporárias (estudo de um artista, questionários aos visitantes).

Animação cultural e formação informal: a cidade ou o meio rural organizam indelevelmente os espaços culturais onde o museu se insere. Daí que esta instituição colabore, cada vez mais, com os habitantes do tecido urbano e rural de maneiras diferenciadas mas participativas, em vista a desenvolver novos modos de leitura e escrita da ciência, da técnica e da arte, ou seja, novas literacias científicas, tecnológicas e artísticas, em particular a literacia visual. Por exemplo, a partir de exposições temporárias, visitas guiadas, conferências, ateliers de criação e eventos festivos de natureza múltipla.

3. Quem são e o que desejam os públicos dos museus?

Retomando alguns conceitos do sociólogo Howard Becker (1982) e aplicando-os, por exemplo, à problemática dos museus de arte, o seu público não consome as obras artísticas e os seus significados de uma maneira abstracta, mas reconstrói-os no seio de mundos da arte concretos.

Os mundos da arte são redes sócio-culturais onde diversos ‘porteiros’ ou gatekeepers (por exemplo artistas, curadores, críticos, leiloeiros, coleccionadores, etc.), seleccionam e regulam o curso das actividades artísticas e o percurso das respectivas obras de arte, até à sua apresentação pública e fruição pelo visitante do museu. Nestes mundos da arte, no nosso mundo global como em Portugal, por exemplo as políticas culturais, a identidade dos artistas (Conde, 2000) e a própria organização dos museus (Santos, 2005) influem significativamente sobre a frequentação dos museus.

Do lado da recepção do saber, os públicos dos museus apresentam traços sócio-demográficos específicos e desenvolvem carreiras comunicativas particulares, nas suas visitas ao museu, em especial quando relacionam as obras e o espaço do museu com a sua própria frequentação da cidade, do trabalho, da família e da escola. De entre os principais segmentos de públicos, salientam-se: as famílias; os alunos e professores de uma escola; o visitante isolado ou em grupos, que pretende realizar uma formação contínua ao longo da vida; o turista.

Diversos estudos procuram esclarecer a composição, interesses e aspirações do público dos museus (Bourdieu, 1969, Wright, 2000). Em especial, em termos comunicativos, o museu circunscreve-se hoje como um medium de massas poderoso, cujo público constitui uma ‘audiência activa’, que reproduz os mass media e as instituições culturais, mas também os transforma (Stuart Hall, 1973).

4. O que sigifica a ‘museabilidade’ e a ‘musealização’?

A ideia de museabilidade inclui as condições contextuais, económicas, sócio-culturais e politicas da musealização, no interior de uma dada sociedade (Andrade, 2003). Por seu turno, a musealização traduz o conjunto de estratégias de apresentação de obras e actividades científicas, tecnológicas e artísticas, pelos profissionais do museu, a um público de não-especialistas.

Para além disso, as indústrias da cultura, do lazer e da informação estão a ser aplicadas, cada vez mais, enquanto veículos da comunicação pública da ciência, das tecnologias e das artes e da respectiva aprendizagem informal no museu, mais recentemente através de produtos de multimédia e pela internet (“Muséologie et nouvelles Technologies”, 2001). Contudo, ainda não foi superado um défice não negligenciável de iliteracia, visual ou relativa a outros media de massa, por parte dos cidadãos Europeus e a nível global. Por exemplo, nesta era pós-colonial, no que toca a compreensão das obras emanadas das diferentes culturas (Hooper-Greenhill, 1999), em articulação com a manipulação interactiva de certas interfaces nunca dantes vistas, pr ex. os telemóveis e os Personal Digital Asssitants-PDAs (Andrade, 2004). Tudo isto visa excluir a info-exclusão, promover a ciberliteracia e contribuir, assim, para o exercício de uma cidadania cultural plena.

5. O que é a comunicação pública dos saberes, no museu?

A comunicação pública da arte, ou da ciência e das tecnologias, envolve a produção, difusão, consumo e compreensão destes modos do conhecimento, em contextos públicos ou semi-públicos, como o museu. Ou seja, um tal processo pressupõe que os saberes constituem processos sociais e comunicativos, requerendo, para além dos seus produtores, mediadores e consumidores e dos ‘gatekeepers' actuantes nas redes dos mundos da arte, uma 'audiência activa'. Em especial, os fenómenos precedentes acontecem em museus locais/nacionais ou em museus de dimensão planetária, no contexto da nova ordem da comunicação global (Golding, 1997). Finalmente, através de novas experiências e literacias mobilizadas pelos saberes no seio do ciberepaço e do cibertempo, comunidades virtuais múltiplas, na sua interação, usam uma leitura multimodal desconstrutora de significados cada vez mais plurais e inéditos (Unsworth, 2001:10).

 

Bibliografia

Andrade, Pedro et al. – “Os públicos da museabilidade da Ciência”, in Atalaia/Intermundos (12/13). s.l., 2003, pp.62-91.

Andrade, Pedro – “E-art in digital museums measured by Interdimensional Networking Method”, in Fróis, J.; Andrade, P.; Marques, F., IAEA 2004, XVIII Congress, Gulbenkian, Lisboa: FCG, 2004.

Becker, Howard - Art Worlds. Berkeley: Univ. of California Press, 1982.

Bourdieu, Pierre; Darbel Alain - L’ Amour de l’ Art: les musées d’art européens et leur public. Paris: Minuit, 1969.

Conde, Idalina; Pinheiro, João – “Portugal: Feminisation Trends. Profiling the Future”, in Pyramid or Pillars – unveiling status of women in arts and media professions in Europe. s.l.: ERICarts, 2000.

Golding, Peter - Beyond Cultural Imperialism: Glabalization, Communication and the New International Order. London: Sage, 1997.

Hall, Stuart - Encoding/Decoding in the Television Discourse. Birmingham: CCCS, 1973.

Hooper-Greenhill, E. (ed.) - The Educational Role of the Museum. London: Routledge, 1999.

“Muséologie et nouvelles Technologies”, La lettre de l’OCIM, (78), vol. 23, 2001.

Santos, Maria de Lurdes Lima dos (coord.); Neves, José Soares - O panorama museológico em Portugal [2000-2003]. Lisboa: OAC, 2005.

Unsworth, Len - Teaching Multiliteracies across the curriculum. Buckingham: Open University Press, 2001, p. 10.

Wright, Philip – “The Quality of Visitor’s Experiences in Art Museums”, in Vergo, Peter - The New Museology. London: Reaktion Books, 2000, p. 148.

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