Warning: mysql_real_escape_string(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/DataSource.php on line 92 Warning: mysql_query(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/Ligacao.php on line 103 Warning: mysql_real_escape_string(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/DataSource.php on line 92 Warning: mysql_query(): 54 is not a valid MySQL-Link resource in /var/www.arte-coa.pt/Classes/Ligacao.php on line 103 Côa

CulturaImprimirDicionário critico

René Girard

António Machuco

René Girard nasceu em França em 1923, tendo desde a década de cinquenta passado a viver e a ensinar nos Estados-Unidos. Nessa mesma década começou a dedicar-se à crítica literária, culminando a sua investigação em 1961 com a publicação de Mensonge romantique et vérité romanesque.

Palavras chave: cultura, sacrifício, religião.

René Girard nasceu em França em 1923, tendo desde a década de cinquenta passado a viver e a ensinar nos Estados-Unidos. Nessa mesma década começou a dedicar-se à crítica literária, culminando a sua investigação em 1961 com a publicação de Mensonge romantique et vérité romanesque. Nesse livro é defendida uma interpretação realista das obras literárias dos grandes escritores, e é apresentada uma intuição central de Girard, que consiste em afirmar que o homem pode ser definido pelo seu desejo mimético: o homem não é naturalmente levada a desejar os objectos, mas forma o seu desejo imitando o desejo de outros homens que lhe aparecem como modelos orientadores. Quando esse desejo incide sobre objectos que não podem ser partilhados, a rivalidade mimética torna-se inevitável.

Nada nessa primeira obra fazia antever o caminho de investigação que Girard iria trilhar nos anos seguintes. Ele converteu-se em antropólogo autodidacta e, no prosseguimento das suas ideia acerca do mimetismo humano, desenvolveu a ideia crucial acerca da origem da cultura e da própria humanidade. Partindo do estudo da tragédia grega, Girard apresentou em La violence et le sacré, publicado em 1972, a sua hipótese segundo a qual um mecanismo mimético espontâneo conduziu inúmeras vezes à morte de uma vítima expiatória, sendo partir do cadáver dessa vítima que terão surgido, por complexificação crescente, todas as instituições humanas.

A teoria antropológica completa de Girard apenas seria tornada pública com a edição, em 1978, de Des choses cachées depuis la fondation du monde. Nessa obra são deduzidas com maior rigor as formas culturais que decorrem da hipótese da vítima emissária, e, sobretudo, é avançada a ideia segundo a qual o cristianismo, em especial a Paixão de Cristo, possuem um lugar singularmente decisivo na evolução da espécie humana. Jesus Cristo revelou a verdade antropológica do homem, e, em particular, revelou como todas as sociedades anteriores fundaram a ordem social no crime e na mentira. Enquanto as sociedade anteriores sacrificavam vítimas acreditando na sua culpa, Jesus Cristos veio mostrar a inanidade de todos os sacrifícios e veio redimir todos os crimes humanos.

A posição do cristianismo enquanto centro da revelação antropológica foi um dos aspectos que contribuíu para a incompreensão, e mesmo hostilidade, que a comunidade dos antropólogos mostrou por Girard a seguir à publicação de Des choses cachées... Nem a publicação de Le bouc émissaire (1982), e mais tarde de Je vois Satan tomber comme l’éclair (1999), nem as muitas profissões de fé numa visão estritamente naturalista da antropologia permitiram desfazer os mal-entendidos. Apenas recentemente essa situação se começou a alterar. Coincidindo em parte com a eleição, em 2005, de René Girard para a Académie Française, um número crescente de investigadores têm vindo a seguir e a desenvolver a sua teoria antropológica acerca da religião. Paralelamente, um número igualmente crescente de académicos e homens públicos tem vindo a reconhecer em René Girard um dos mais geniais autores contemporâneos. Um sintoma claro desse reconhecimento foi a recepção à sua última obra, Achever Clauwsewizt (2007), onde a perspectiva antropológica aberta por La violence et le sacré é estendida à evolução global da humanidade e aos desafios apocalípticos que o nosso tempo anuncia

© CÔA Todos os direitos reservados© All rights reserved