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CulturaImprimirDicionário critico

Karl Polanyi

José Bragança de Miranda

O impacto do primitivo e das foprmas arcaicas fez-se sentir em todos os domínios, num processo que acompanhou toda a modernidade. Isso sucede de forma paradoxal, pois o fascínio com a pré-história e as formas não modernas é acompanhado pelo anacronismo que leva a projectar no passado ideias que são basicamente modernas. Mas também a voltar as formas económicas não-modernas contra o capitalismo. É neste quadro que se compreende a influência da obra de Karl Polanyi (1886-1964), cujo livro The Great Transformation (1944) fêz data.

Palavras chave: primitivo, modernidade.

O impacto do primitivo (primitivismo) e das formas arcaicas fez-se sentir em todos os domínios, num processo que acompanhou toda a modernidade (modernidade e risco). Isso sucede de forma paradoxal, pois o fascínio com a pré-história e as formas não modernas, é acompanhado pelo anacronismo, que leva a projectar no passado ideias que são basicamente modernas. Mas também a voltar as formas económicas não-modernas contra o capitalismo. Esta tendência já estava presente em Karl Marx (1818-1883).

É neste quadro que se compreende a influência da obra de Karl Polanyi (1886-1964), cujo livro The Great Transformation (1944) fez data. Nessa obra, Polanyi analisa a privatização das terras comuns em Inglaterra do século XIX, descrevendo historicamente a formação do capitalismo moderno e a lógica do mercado em que se sustenta. Para o autor, o capitalismo invertia a ordem económica tal como vigoraram ao longo da história, onde estavam embebidas nas relações sociais. Com o capitalismo dá-se o inverso, tendendo a destruir as regras de reciprocidade e redistributivas pré-modernas. Polanyi mostra ainda que este processo de autonomização do mercado capitalista foi favorecido pelas práticas legislativas e coloniais do Estado moderno.

Esta estratégia altera profundamente a abordagem da economia. Sendo certo que nos clássicos da sociologia como Marx, Durkheim e Max Weber se encontravam abordagens complexas da economia, a obra de Polanyi surge num momento em que a economia se tornara em uma disciplina altamente formalizada e matematizada, e aparentemente autónoma, na qual se baseavam as políticas liberais, e que entrara em crise depois de 1929. O substancialismo que Polanyi opõe à visão formal da economia, à genealogia das suas formas, e à sua aparente autonomia, a maneira como as «leis» económicas se inscrevem na sociedade e da cultura, em mútua relação.

Pode definir-se a estratégia de Polanyi como uma variante de economia geral, que nessa mesma época foi enunciada por Georges Bataille no livro La Part Maudite, escrito entre 1946 e 1949, ainda hoje extremamente influente. Um traço característico desta tendência é a redução da forma económica capitalista a uma variante entre outras e a consideração da economia segundo uma temporalidade longa. No caso de Polanyi isso levou-o a estudar as «economias» antigas, seja da América seja da antiga Mesopotâmia, de que dá sinal o livro por ele editado - Trade and Markets in the Early Empires (1957). A tentativa de apreender a economia no seu conjunto, e de opor as formas arcaicas às formas liberais da economia moderna, explica a forte presença no seu pensamento de elementos primitivos e arcaicos, destacando-se neste contexto o volume de ensaios publicado em 1968, Primitive, Archaic, and Modern Economics: Essays of Karl Polanyi.

A obra de Karl Polanyi suscitou intenso debate, e mereceu críticas que reforçam a sua importância. A grande transformação procurava a saída para a crise do modelo liberal dos anos 1930-1945. O novo interesse pelo pensamento deste autor é, agora, suscitado pela actual crise dos modelos neo-liberais que estão a afectar o pensamento económico e político. Repete-se exigência de uma nova transformação, senão reinvenção das formas da economia.

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