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CulturaImprimirDicionário critico

Claude Lévi-Strauss

Tito Cardoso e Cunha

Claude Lévi-Strauss estudou filosofia e era ao seu ensino que se destinava tendo sido colega, durante a sua formação, de nomes ilustres da cena filosófica francesa, nomeadamente Simone de Beauvoir e Maurice Merleau-Ponty, de quem ficou sempre muito próximo, teórica e pessoalmente.
O interesse pela antropologia, disciplina onde viria a ser um dos nomes cimeiros, sobreveio mais tarde, quando a oportunidade surgiu de rumar ao Brasil onde, por volta de 1932, se iniciava a Universidade de São Paulo (USP).

Palavras chave: mito, cultura.

Claude Lévi-Strauss estudou filosofia e era ao seu ensino que se destinava tendo sido colega, durante a sua formação, de nomes ilustres da cena filosófica francesa, nomeadamente Simone de Beauvoir e Maurice Merleau-Ponty, de quem ficou sempre muito próximo, teórica e pessoalmente.
O interesse pela antropologia, disciplina onde viria a ser um dos nomes cimeiros, sobreveio mais tarde, quando a oportunidade surgiu de rumar ao Brasil onde, por volta de 1932, se iniciava a Universidade de São Paulo (USP).
 A sua curta experiência – se comparada com outros grandes nomes históricos da antropologia – desenvolveu-se a partir dessa estadia em São Paulo que lhe proporcionou incursões exploratórias no sertão brasileiro, podendo assim dedicar-se ao estudo de alguns grupos sociais “selvagens” como os Nambikwara, então ainda sobreviventes, e acerca dos quais escreveu o seu primeiro estudo propriamente antropológico.


O nome de Lévi-Strauss ficou para sempre ligado a uma corrente de pensamento, predominante a certa altura nas ciências sociais e humanas, a que se deu o nome de estruturalismo. A bem dizer foi um dos poucos que voluntariamente assumiu essa designação que aliás aparece no título de algumas das suas obras mais conhecidas como Anthropologie sructurale I e II. Aí são definidos os procedimentos metodológicos que informam aquilo a que ele chamou o método de análise estrutural. Método esse que Lévi-Strauss aplicará em dois domínios fundamentais da antropologia: o parentesco e a mitologia (mito).

São três as suas obras mais fundamentais. O primeiro foi o livro fundador do estruturalismo, publicado em 1945, e teve por título Les structures élémentaires de la parentée. Nele o método de análise estrutural é aplicado à compreensão da problemática do parentesco nas sociedades a que chamará «selvagens.»
A outra obra, monumental esta, são os quatro volumes de Mythologiques publicados ao longo de vários anos. Aqui a análise estrutural aplicar-se-á a decifrar as significações escondidas de um imenso corpus constituído pela esfuziante criação de narrativas míticas sobretudo entre as culturas nativas da América do Sul.
Finalmente, a terceira obra decisiva no trabalho de Lévi-Strauss, publicada em 1961, intitula-se La pensée sauvage. Trata-se de uma obra de sistematização em que procura demonstrar e descrever os procedimentos mentais presentes nas criações culturais que as suas outras obras puseram em evidência.


Em que consiste, finalmente, esse método de análise estrutural que encontramos no cerne de toda a obra de Lévi-Strauss e de que ele é, porventura, o mais importante dos inventores? Lévi-Strauss deu-lhe o nome de análise estrutural e chegou a ele por duas vias convergentes e até coincidentes desde o seu momento inicial que gira em torno da noção de facto social tal como a definiu Durkheim: “É facto social toda a forma de desempenho, fixo ou não, susceptível de exercer sobre o indivíduo uma imposição externa.” É disso um bom exemplo, como desde logo o notou o F. de Saussure (outras das fontes do pensamento lévi-straussiano, que ele conheceu sobretudo através do linguista R. Jakobson), a linguagem.
Os sistemas de parentesco com as suas regras de casamento são um bom exemplo de factos sociais “susceptíveis de exercer sobre o indivíduo uma imposição externa” tal como a língua, por exemplo, cujas regras cumprimos mesmo se dela não temos imediata consciência.

A um segundo nível de mediação teórica Lévi-Strauss recolhe a influência do antropólogo M. Mauss cujas contribuições teóricas lhe permitirão situar-se na precisa intersecção das duas genealogias da sua laboração antropológica, a linguística que vem de Saussure e a sociológica cuja origem está em Durkheim. O momento dessa intersecção é a noção de troca e da sua reciprocidade. A troca recíproca é o que encontramos na linguagem, como no parentesco, e é também de um inegável facto social que se trata. Esta constatação permite a Lévi-Strauss abordar as estruturas (elementares) do parentesco como sendo dinamizadas sobretudo pela noção de troca recíproca que, tal como na linguagem, estabelece um modo de comunicação, não propriamente entre indivíduos mas entre grupos que trocam entre si signos humanos através das relações de parentesco que entre si estabelecem.


Bibliografia

Paris, Plon, 1958 e 1973.

Paris, Mouton, 1967.

Paris, Plon, 1962.

Durkheim, Émile - Règles de la méthode sociologique. Paris: PUF, 1973.

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