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CulturaImprimirDicionário critico

Xamanismo

José Pinheiro Neves

O xamanismo não pode ser considerado uma religião mas antes uma forma cultural. Sendo essencialmente um estado de espírito, recorre à fusão entre a sensibilidade e a prática religiosa, vendo a vida como um todo e tendo efeitos terapêuticos nas comunidades em que é praticado. Contudo, não existe uma origem histórica ou geográfica determinada nem um princípio unificador para o xamanismo tal como é conhecido hoje. Tendo origem na Sibéria, a palavra “xamã” designava apenas o sacerdote da zona. De forma literal, significava: “aquele ou aquela que sabe”. Á medida que esta designação se foi espalhando, no século XX, passou a abranger as práticas terapêuticas tradicionais dos curandeiros e curandeiras de várias regiões do mundo. Actualmente, com os movimentos alternativos de New Age dos anos sessenta, recorre-se a esta palavra para designar aqueles que conseguem manter qualquer tipo de contacto com os espíritos.

Palavras chave: Lévi-Strauss, religião, magia

O xamanismo, pelo facto de não possuir uma doutrina, um livro sagrado ou mesmo uma Igreja xamânica, não pode ser considerado uma religião, mas antes uma forma cultural. O xamanismo, por muitos considerado um estado de espírito, recorre à fusão entre a sensibilidade e a prática religiosa, vendo a vida como um todo e tendo efeitos terapêuticos nas comunidades em que é praticado. Tendo origem na Sibéria, a palavra “xamã” vem da língua evenca, utilizada por um grupo de caçadores e pastores de renas de língua tungu e designava apenas o sacerdote da zona. Apesar, como assinala Eliade, da especificidade dessas práticas na região da Sibéria (em especial as técnicas do êxtase de vários grupos étnicos), não existe, contudo, uma origem histórica ou geográfica, nem um princípio unificador para o xamanismo tal como é conhecido. Tudo indica que, na pré-história, em comunidades que eram auto-suficientes e isoladas, os xamãs eram muito importantes pois reuniam em si diversas funções. Os xamãs eram homens ou mulheres que conjugavam em si os papéis de médico, sacerdote, místico e trabalhador social. Celebrando cerimónias, rituais, curando os doentes e os feridos, comunicando com os espíritos e antepassados e dando conselhos sábios, um xamã devia garantir o bem-estar das pessoas da sua comunidade. O xamã, ao obter sapiência e capacidade de discernimento, era capaz de entrar em transe controlado, ligando-se as outras partes da Criação.

Segundo Mircea Eliade, na Ásia Central, o reconhecimento do xamã pela comunidade inteira apenas acontecia após a realização de provas iniciáticas. Nalguns casos, essas provas passavam pela sobrevivência a uma doença grave, ser atingido por um raio e sonhar com trovões, uma experiência de “quase-morte” seguida de um forte “apelo” para se tornar um xamã. Ainda de acordo com Mircea Eliade, essas experiências seriam associadas a imagens que incluíam sentir-se transportados para um mundo de espíritos, interagir com esses espíritos, encontrar um guia espiritual e sofrer processos de transformação radical. Por outro lado, o perfil ideal de um xamã seria a de um homem sério, que sabia convencer os que estão à sua volta, não presunçoso nem colérico. Entre alguns povos, também podia adoptar os papéis de cantor, poeta, músico, adivinho, sacerdote e médico. Devido à sua experiência do sofrimento antes da iniciação ou experiência de possessão, o xamã aparece associado a estados alterados de percepção tais como a epilepsia, a histeria e a psicose. Contudo, segundo Lévi-Strauss, as neuroses e as psicoses parecem diminuir nas regiões em que existe o xamanismo pois as práticas xamanistas podem ter um efeito terapêutico em relação às enfermidades mentais.

Á medida que esta designação se foi espalhando, no século XX, passou a abranger as práticas terapêuticas tradicionais dos curandeiros e curandeiras de várias regiões do mundo. Actualmente, inspiradas nos movimentos alternativos dos anos sessenta de tipo New Age, as pessoas recorrem a esta palavra para designar aqueles que conseguem manter qualquer tipo de contacto com os espíritos de forma a exercer um papel de terapia em relação a algum problema de tipo físico ou mental (Neo-Xamanismo).

 
Bibliografia

 
Adcok, William – Xamanism. Lisboa: Estampa, 2001, 64 p. (pp. 6-8).

Eliade, Mircea - Le chamanisme et les techniques archaïques de'l extase. Paris : Éditions Payot, 1983.

AAVV - Xamanismo, in Wikipedia (português),
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xamanismo [30 de Julho de 2008].
AAVV, Shamanism, in Wikipedia (inglês),
http://en.wikipedia.org/wiki/Shamanism [30 de Julho de 2008].
Vitebsky, Piers - O Xamã. Evergreen/Taschen GmbH, 2001, 184 p. (pp. 10-11).

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