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ArteImprimirDicionário critico

Estilo

Ana Rodrigues

O conceito de Estilo,  em História da Arte, define o modo como a criação plástica se realiza em termos individuais, no sentido de definir aquilo que geralmente chamamos a assinatura do artista, ou seja, o modo particular com que cada artista utiliza as estruturas expressivas da sua própria linguagem. Mas, também, em termos colectivos, significa o reconhecimento de um certo número de características comuns às obras de arte de um mesmo período cronológico, encontrando-se assim no cerne daquilo a que se veio a definir como Estilo antigo, românico, gótico, renascentista, barroco, neoclássico, eclético, abstraccionista, realista, surrealista, etc. 

Palavras chave: História da arte, obra de arte, artes visuais, criação

Heinrich Wolfflin (1864-1945), mentor do método formalista, herdeiro da teoria da "pura visibilidade", chamou a atenção para esta possibilidade dicotómica do estilo no livro Kunstgeschichtliche Grundbegriffe. Das Problem der Stilentwicklung in der neueren Kunst (Munique, F. Bruckmann, 1915) - traduzido em língua portuguesa como Conceitos fundamentais da História da Arte: o problema da evolução dos estilos na arte mais recente (São Paulo: Livraria Martins Fontes, 1984).

Este conceito operatório é, ainda, utilizado para definir as características comuns a uma escola, ou a uma região (estilo da casa portuguesa apurado por Raul Lino, ou arquitectura-chã de George Kubler), ou para definir a arte de um país desenvolvida num determinado reinado, ou governo, a que se pede emprestado o nome de Manuelino, Joanino, Pombalino (Fig.1), Isabelino, etc. A conceptualização de Wolfflin é mais problemática do que possa parecer à primeira vista, porque as próprias categorias formais por si criadas ao proporem cinco pares de opostos, sugerem a existência de estilos transversais a toda a
História da Arte (classicismo, naturalismo), e neste sentido, sobrepostos aos anteriormente definidos.

Podemos, então, levantar a questão do estilo pessoal se reger por leis que diferem do estilo de um período. Apesar de ambos resultarem da coerência artística num determinado período de tempo, no estilo pessoal de um artista acentua-se o seu carácter sincrónico e no estilo de um período o seu carácter diacrónico. Mesmo a leitura tripartida do estilo pessoal de um artista - juventude, maturidade e velhice - nem sempre se verifica. Por outro lado, algumas personalidades artísticas parecem pôr em causa o entendimento de estilo como conceptualizado pela historiografia alemã, a Kunstwollen [Alois Riegl, Stilfragen: Grundlegungen zu einer Geschichte der Ornamentik (Problemas de estilo: bases para uma história do ornamento), 1893].

Todos estes aspectos são uma falsa questão, na medida em que há uma sequência irreversível das formas, tal como defendeu Wolfflin, razão pela qual o clássico da Antiguidade difere do clássico do Renascimento, do clássico do tardo-Barroco e do clássico do Neoclassicismo. Apesar de não haver estilos completamente puros, há uns cuja complexidade e diversidade é maior do que a de outros. Por exemplo, o Renascimento pode ser considerado um estilo puro porque em diferentes áreas geográficas onde chegou a influência da tratadística italiana encontramos 
obras de arte de desenho idêntico. Manifestando-se de forma muito díspar, o estilo barroco insere diversificadas correntes no seu seio, como um barroco romano, da corte e dos ciclos católicos, um barroco mais clássico, ligado ao classicismo francês, um barroco que surge na Holanda, mais realista, um barroco realista que vem da obra de Caravaggio, e um barroco mais passional em Espanha.

O conceito de estilo aplicado às
Artes Visuais desenvolveu-se sobretudo com Johann Joachim Winckelmann (1717-1768) ao definir o estilo da arte grega antiga, do Renascimento e de outros períodos, tomando a arte grega como referente. Esta abordagem condicionou, até ao século XX, a valoração dos estilos pela sua aproximação ou desvio da norma clássica, sendo responsável pela conotação pejorativa de muitos deles (barroco, rococó, medieval - media aetates). Por outro lado, constata-se que uma das fragilidades do conceito de estilo abrangendo todo um período reside no facto de alguns artefactos culturais expressarem um espírito autónomo, para além de que a expressiva coerência dos períodos já faz parte da própria História. O Romantismo, de grande sentimento de ruptura a vários níveis, contribuiu, igualmente, para a contestação do conceito de estilo porque o entendimento que dele fazia era contrário à expressão da subjectividade individual de cada artista. Por outro lado, o desenvolvimento do design e das várias práticas artísticas e reflexões estéticas sobre a arte associada à função, contribuíram para a conotação pejorativa do conceito de estilo, no sentido de algo acessório, oposto ao design.

Quanto à cultura contemporânea, ao promover o conceito de vanguarda e o valor estético e ético da inovação permanente, ela historicizou, definitivamente, a questão do(s) estilo(s), substituindo-a pela de "movimentos" (o cubismo, o modernismo, o abstraccionismo, o pós-modernismo) que assumem momentos instáveis e breves da produção cultural, propostos pela vontade de ruptura de personalidades reconhecidas e de pequenos grupos que as dinamizam. A partir dos anos de 1990, mesmo a designação de "movimentos" deixou de ser operativa para abarcar a extrema diversidade das práticas artísticas e a sua instalada heterodoxia, questão que foi teorizada, entre outros, por Arthur Danto (Beyond the Brillo Box. The visual Arts in Post-Historical Perspective, 1992).

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