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ArteImprimirDicionário critico

Pintura

Ana Rodrigues

Desde a Pré-História até aos nossos dias, a Pintura tem constituido uma parte fundamental das chamadas "Artes Visuais bidimensionais", não só pelo facto destas conseguirem representar sobre uma determinada superfície uma vastíssima gama de "objectos" visíveis e invisíveis, mas também pelo facto de utilizarem para o efeito as mais diversificadas matérias, formas, cores e meios tecnológicos, na tentativa (tantas vezes inglória) de alcançar uma grande diversidade de fins e de funções (Fig.1).

Palavras chave: imitação, antropologia da imagem, representação visual , visualidade

“Ut pictura poiesis” do poeta romano Horário (séc. I a. C.) – evidenciando os valores comuns à Poesia e à Pintura – foi o leitmotif utilizado para elevar o estatuto da Pintura, que no Renascimento se preocupava essencialmente em "docere et delectare, et imitatio Naturae". O conceito de mimesis é indissociável da Pintura porque um dos maiores desafios da Pintura sempre foi o da  representação sobre uma superfície bidimensional de objectos tridimensionais, tal como eles aparecem aos nossos olhos. O domínio da pirâmide visual e a descoberta da pintura a óleo foram conquistas revolucionárias para a Pintura de Quatrocentos e dos séculos que se seguiram. Mas o legado mais importante do Renascimento foi deixar-nos a ideia de que Pintura era una cosa mentale (Alberti, De Pictura).

Se até ao século XIX conseguimos enumerar com alguma precisão as várias possibilidades da matéria e da forma da Pintura, a partir do século XX essa torna-se uma tarefa quase impossível porque deixou de haver fronteiras rígidas entre as várias expressões artísticas, e os meios de produção tornaram-se praticamente infinitos, só dependendo da vontade e da criatividade do artista. Ainda assim, tradicionalmente, em termos de matéria, o suporte pode ser de pedra, cerâmica, madeira, metal, papiro, pergaminho, marfim, reboco, tela e papel de variadas densidades, cores e texturas. Actualmente, a Pintura pode também ser construída a partir de suportes tridimensionais, como estruturas de madeira, pasta de papel e acrílico ou madeira recortada e exposta na parede e no chão.

A camada cromática pode ser constituída por variadas tintas, como a tinta a óleo, a guache, a aguarela, etc., aplicadas em pequenas pinceladas, ou grandes manchas de cor, com ou sem contorno, visando obter transparências ou a saturação das camadas, apresentando-se a cor plana e lisa ou matizada. O cromatismo tanto pode ser realista como artificial, adicionando por vezes outras camadas de significação às imagens. Os cânones utilizados na pintura egípcia (por exemplo, o corpo do homem é mais escuro que o da mulher), na pintura medieval e na pintura religiosa (o manto azul da Virgem) denunciam a importante função simbólica da cor na Pintura.

As matérias empregues ou a própria técnica acabam por definir o tipo de pintura. Assim, na diferenciação pelos materiais temos a pintura a óleo, a aguarela, e a guache. Na diferenciação pela técnica temos a pintura a fresco, a pintura a têmpera, etc.

Relativamente aos elementos formais, Leon Battista Alberti (1404-1472), figura axial da teoria do renascimento, no seu tratado De Pictura, dividiu a pintura em circunscrição, composição e recepção de luzes, relacionando as duas primeiras com o desenho, e a terceira com a cor. Este será o gérmen para um longo debate entre os artistas. Para Vasari e para a escola de Florença, o desenho é eleito como a actividade intelectual por excelência, por oposição à escola de Veneza liderada por Ticiano. A adesão vital à cor ganha um novo defensor nas disputas da Academia Francesa, de seu nome Roger De Piles, e um passo essencial para a plena autonomia da cor sentida na obra de Matisse.

Estes traços e manchas são manejados de forma a representarem um tema, ou tema nenhum, como tantas vezes acontece nas telas abstractas intituladas “S/ título”, pois a partir do século XX a Pintura liberta-se da representação da realidade visível e até da bidimensionalidade. O tema da pintura – histórico (Fig.2), religioso, alegórico, mitológico – está na base da diferenciação da Pintura em vários géneros: Retrato, Paisagem, Natureza-morta, Pintura de História, de Costumes, de Batalhas. Por exemplo, no género da paisagem esta deixa de ser o pano de fundo das suas composições, plataforma do desenrolar da acção, para se transformar ela própria no motivo central de reflexão.

Mas, a verdade é que a Pintura, mais do que qualquer arte, sempre revelou uma enorme capacidade de reinventar o seu universo de referências, revelando-se esta divisão em géneros inadequada para as questões da Arte Contemporânea.

Na Pintura abstracta a importância do tema é claramente subalternizada e vota ao insucesso qualquer tentativa de leitura figurativa pelos cânones normais da representação. A ausência de Iconografia, nestes casos, não descarta a possibilidade de uma leitura iconológica, enquanto sintoma de uma determinada cultura, já que uma Pintura é uma leitura privada do mundo, ao mesmo tempo que reflecte sobre a memória histórica e cultural, ética e poética da cultura de cada período na sua multiplicidade de sentidos (de literais a icónicos).

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