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ArteImprimirDicionário critico

Abstracção / Figuração

Ana Rodrigues

Figuração é o termo utilizado para identificar representações de elementos do mundo natural, e Abstracção o termo que define a linguagem plástica criada sem qualquer vínculo, pelo menos aparente, com esse mesmo mundo natural.  Depois do nascimento da arte abstracta, visto na perspectiva da arte contemporânea ocidental (Kandinsky, terá sido o autor da primeira aguarela abstracta, datada de 1910), a dicotomia Figuração/Abstracção tornou-se numa das questões teóricas mais prementes da arte contemporânea, sobretudo por coincidir com a luta pela emancipação da arte do século XX face à arte académica, e pela liberdade total de uma arte autónoma, sem tutelas políticas, religiosas ou afins.

Palavras chave: figura, representação visual

Neste sentido, nos anos trinta, as vanguardas europeias começam por retomar os argumentos das teses oitocentistas de Théophile Gautier (1811-1872) em defesa da “arte pela arte”, contra as do anarquista Pierre-Joseph Proudhon (1809-1865) que defendia a necessidade de uma “arte útil”. Os defensores da Abstracção exigem assim uma arte livre de qualquer função que não seja simplesmente a de existir por si mesma, utilizando para tal, apenas motivos artísticos (linhas, cores, volumes) sem qualquer preocupação de reproduzir a realidade [representação visual], ou seja, aproximando-se assim da música (arte não figurativa por excelência) na tentativa de exprimir a realidade interior do artista que proclama para si uma espécie de valor absoluto. Por outro lado, os defensores da Figuração acreditam que os artistas têm responsabilidades sociais e, como tal, devem colocar os seus meios ao serviço de causas maiores, como lutar por um mundo melhor, o que tinha um sentido particularmente crítico.
Ao longo de todo o século XX, assiste-se assim a uma tentativa constante de equilíbrio entre as várias correntes artísticas, quer na sua opção pela Abstracção, quer pela Figuração. Na primeira metadedesse século, a opção pela Abstracção ganha  foros verdadeiramente imperiais, não só com a adesão de numerosos artistasdas vanguardas que passariam a explorar diferentes possibilidades artísticas, como a expressão da “necessidade interior” (segundo Kandinsky) originando assim o movimento denominado de Abstraccionismo Lírico, como também pela afirmação de um lado mais racional, conhecido como Abstraccionismo Geométrico, onde se viriam a encaixar as novidades do Suprematismo, de Casimir Malevitch, e do Neoplasticismo, de Piet Mondrian, etc.
Durante este período, assiste-se também a um movimento de sentido contrário que pretende recuperar desesperadamente a Figuração, não só para questionar a sociedade sobre os horrores da guerra, da fome e da pobreza, num primeiro momento pelo Dadaísmo, e depois pelo Realismo (ou "Neo-Realismo" no caso Português), mas também numa perspectiva completamente diferente, agora assumida pelo Surrealismo, no sentido de traduzir em imagens o mundo dos sonhos, das fantasias e do inconsciente.
Em Portugal, o debate em torno da Figuração/Abstracção só chegou depois dos anos quarenta. Pela Figuração, em Portugal, estavam sobretudo os artistas que vinham do movimento do “Neo-realismo”, que questionava o regime ditatorial do Estado Novo. Entre os pró-Abstracção, contavam-se os herdeiros do grupo do Orpheu – artistas responsáveis pela introdução do Modernismo em Portugal (Fig.1), como Amadeo de Souza Cardoso (1887-1918) e Santa-Rita Pintor (1889-1918), como Júlio Resende (1917-), Nadir Afonso (1920-) e, sobretudo Fernando Lanhas (1923-), que continuam assim a sua pesquisa pictórica sem contaminações demasiado excessivas por parte da realidade social que os envolve (Fig.2).

“…E quanto à nova figuração?” Em 1959, o pintor alemão Hans Platschec publica um ensaio intitulado Neue Figurationen (em português Nova Figuração) onde defende a criação de novas figuras para contrapor ao imperialismo da abstracção. A nova figuração afasta-se assim da figuração tradicional por manifestar uma atitude essencialmente crítica e um gosto pelo fantástico, e pelo grotesco.
Em Portugal, nos anos 60-70, entre os criadores da nova figuração, encontrava-se Paula Rego (1935-), invadindo as telas com figuras vindas dos contos de fadas (bruxas, dragões, fantasmas, etc) que nos contam histórias e mais histórias.

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