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ArteImprimirDicionário critico

Artes Visuais

Ana Rodrigues

Artes Visuais é a classificação encontrada, a partir de 1960, para incluir no conceito alargado de Arte as expressões artísticas que resultavam dos novos meios tecnológicos de produção da imagem, como a fotografia, o cinema, a televisão, o vídeo e o computador. A denominação de Artes Visuais pretendia ser mais abrangente que as anteriores classificações de Artes Liberais e Mecânicas, Artes Maiores e Menores, Belas Artes, e Artes Plásticas, e reportar-se a toda a expressão artística que privilegiasse o sentido da visão face aos demais sentidos.

Palavras chave: visualidade, arte imagem e técnica.

O Renascimento herda o primeiro sistema de diferenciação das artes, que as classificava em Liberais (compostas pelo Trivium - lógica, gramática e retórica - e Quadrivium - aritmética, música, geometria e astronomia) e Mecânicas, às quais se associava a obra de pintores, escultores e arquitectos. A vontade de vencer o estigma sociológico de menoridade a que este sistema classificativo confinava as artes, conduz os artistas do Renascimento a denominarem a Pintura e a Escultura de Belas Artes. Tinha-se encontrado assim um  novo paradigma para classificar o conceito de belo. Este belo é herdeiro da relação neoplatónica que aproxima o belo do bem, conferindo à Arte criada até aos fins de Setecentos, uma função essencialmente ética e moralizante. A posição tomada pelos pré-românticos e pelos românticos no início do século XIX de querer que a Arte fale sobre a Arte, reage, precisamente, a esta dependência de modelos pré-determinados. 

O conceito das Belas Artes, tal como foi explanado por Charles Batteaux (1713-80), em Les Beaux Arts réduits à un même príncipe (1746), reporta-se à Pintura, Escultura, Música, e Poesia, inserindo a Arquitectura, juntamente com a Eloquência, no conjunto de artes que combinam beleza e utilidade. No entanto, sensivelmente na mesma época, na Enciclopédia de Diderot  e D'Alembert (1717-83), a Arquitectura encontra-se incluída entre as Belas-Artes, para além da Pintura, Escultura, Poesia e Música, já enunciadas por Batteaux.

Apesar destes sistemas classificativos denunciarem sempre uma hierarquia entre as várias artes, nenhum o fez com tal força como a diferenciação entre "Artes Maiores" e "Artes Menores", criada pela Academia no século XVII. A Pintura, a Escultura, e o Desenho foram consideradas as Artes Maiores, enquanto à Gravura, Tapeçaria, Cerâmica, e Mobiliário  foi-lhes oferecido um estatuto de menoridade. A verdade é que a conquista do estatuto de Belas-Artes ou "Artes Maiores", por parte da Pintura, da Escultura, e da Arquitectura, pejorativamente conotadas como Artes Mecânicas na Idade Média, permitiu-lhes ultrapassar o longo e penoso processo de menoridade a que ficaram votadas muitas das antigas expressões artísticas até finais do século XX.

A partir de finais do século XVIII, as novas experiências artísticas cedem um lugar proeminente ao sensorial e à plasticidade dos materiais, o que coincide com uma revisão do conceito de belo, tornando assim inadequado o conceito de Belas-Artes, que dará lugar ao termo de Artes Plásticas. Esta denominação evidencia o lugar de destaque que alguns artistas, como o escultor Auguste Rodin (1840-1917), reconheceram ao material das suas criações artísticas.

O conceito de Artes Plásticas foi sendo substituído pelo de Artes Visuais quando apareceram expressões artísticas que não se enquadravam em nenhuma das formas de arte tradicionais, como a arte corporal, a arte interactiva, o vídeo-arte, a instalação, o web design. A própria fotografia, considerando a primeira uma fotografia de Nicéphore Nièpce, de 1826 ou 27, tinha finalmente (passado mais de um século) a possibilidade de ser reconhecida como uma forma de Arte. O Cinema considerado a 7ª arte, desde o Manifesto das Sete Artes de Ricciotto Canudo (1911) - onde se incluem a Música, a Dança, a Pintura, a Escultura, o Teatro, e a Literatura - continuava a reivindicar o seu estatuto artístico ao longo do século XX. Por outro lado, tornaram-se demasiado obsoletas as antigas fronteiras entre as artes, como patenteiam as artes cinéticas (Fig.1).

Por todas estas razões, o conceito de Artes Visuais pretende ser o mais abrangente possível, no sentido de acolher todas as expressões artísticas cujo denominador comum seja o visual. Nas faculdades do mundo inteiro muitos dos cursos de artes visuais incluem diversos domínios da criação estética, permitindo assim ao estudante experimentar várias formas de expressão artística, do desenho ao vídeo.

Sem ser a Música e a Literatura, que não têm como objectivo criar nenhum efeito estético a ser apreendido pela visão, todas as outras artes podem ser consideradas como visuais. Neste sentido, as artes visuais são tanto as artes plásticas, a arquitectura, as artes cénicas, bem como as artes cinéticas. O próprio termo de Artes Visuais denota a superioridade do sentido da visão no campo da estética latente na palavra grega Eidos, forma ou figura, termo afim de idea. A cultura greco-latina lançou as raízes desta interdependência entre a visão e a arte, pois, em latim, com pouca diferença de idea, diz-se, vídeo (eu vejo). Quando em pleno Renascimento, os olhos estavam a ser estudados cientificamente, cada membrana dissecada, cada nervo ou fio comparado a águas de rios, Leonardo da Vinci (1452-1519) e outros renascentistas elevaram os olhos a espelho do mundo, e a janela da alma. A visualidade é por todas estas razões a denominação que melhor traduz e inclui todas as formas artísticas e conceitos de arte da contemporaneidade, ou seja, todas as possibilidades de construção da imagem.

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