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ArteImprimirDicionário critico

Realismo

Ana Rodrigues

Em termos gerais, Realismo é o termo utilizado para definir o caminho seguido pelos artistas na procura da reprodução exacta da realidade. Mais focada no mundo real do que no mundo das ideias, a pesquisa do Realismo acompanha o homem desde a pré-História até aos nossos dias, utilizando-se o termo a partir do século XIX, preferencialmente, para denominar o movimento liderado por Courbet.

Palavras chave: representação visual, realidade, símbolo

Com base na observação directa os homens da pré-História deixaram-nos um importante legado visual do seu universo real, de que fazem parte os touros (patentes em Altamira e Lascaux), os mamutes (Rouffignac) e os cavalos (Côa). A tentativa de representação exacta da realidade ganha novo fôlego na retratística romana que nos oferece os traços fisionómicos precisos de uma criança, uma donzela, um senador ou um velho. O momento seguinte em que a arte ocidental teve mais sucesso no registo da realidade foi com os flamengos durante o Renascimento (séc. XV). Desde os rostos aos interiores com a reprodução exacta de tapeçarias, das vestes, apesar de toda a carga simbólica que a História da Arte associou a posteriori a estas obras, estas são essencialmente da esfera do real. No século XVII, a pesquisa do real concentra-se em víveres e objectos do quotidiano, constituindo as naturezas-mortas de Josefa d’Óbidos o ponto alto deste momento entre nós.

No entanto, o termo Realismo foi associado a uma corrente artística encabeçada por Gustave Courbet (1819-1877), acompanhando o movimento literário liderado por Émile Zola (1840-1902), que denuncia graves problemas sociais no texto As Três Cidades (1894-98). O termo Réaliste é utilizado por Courbet, em 1844, para denominar a sua exposição de quarenta e quatro quadros realizada às portas do Salon de Paris quando as suas pinturas O Enterro de Ornans e O Atelier do artista são recusadas por as temáticas denunciarem de forma tão veemente o real. O objectivo da corrente artística do Realismo no século XIX era, assim, propor um provocador sentido do real e da natureza sem contaminação do simbolismo nem de romantismo. Acabando por denunciar preocupações comuns ao Socialismo, pretendia pictoricamente contribuir para a regeneração da sociedade. Devido a este compromisso ideológico e político do movimento artístico do Realismo no século XIX, o termo Naturalismo, despojado de qualquer conotação política, melhor se adequa para caracterizar grande parte da Pintura do século XIX que teve, como traço inovador, a Pintura “sobre o motivo”.

O Realismo volta a aparecer, nos anos 30 do século XX, na URSS e países satélites, ao serviço da ideologia política vigente nesses países, ficando para a História como Realismo Socialista. Os artistas das Artes Visuais, tal como da Literatura, foram incumbidos pelo comissário Andrei Zdanov, sob orientação de Josef Stalin (1878-1953), de criarem exclusivamente no sentido de ajudarem a construir a sociedade igualitária do futuro. Esta via, com expoente máximo em Sergei Gerasimov (1885-1964) acabou por travar as vanguardas e fomentar com um “realismo heróico” a  eternização de valores de Estado, distanciando-se dos pressupostos do Realismo do século XIX.

Nos finais dos anos 50, noutros países do mundo ocidental, sem esta carga política, surge uma corrente artística que se apelidou de Novo-Realismo – na contracorrente à abstracção lírico-informal e construtivista então dominante –, que utiliza temáticas e media completamente diferentes do Realismo soviético, recuperando e ampliando valores do surrealismo e do dadaísmo.

Em Portugal, no imediato pós-guerra, as experiências de arte dita “Neo-Realista” partilham as mesmas preocupações e práticas do Realismo da  U.R.S.S. Isso deve-se em parte porque o Movimento de Unidade Democrática (MUD), dominaria as Exposições Gerais de Artes Plásticas, realizadas entre 1946 e 1956, e este era um movimento de oposição à ditadura do Estado Novo da ala comunista. Assim, em termos temáticos, nas obras soviéticas e portuguesas, lê-se, sobretudo, a crítica à doutrina do sistema capitalista e a propaganda do comunismo como doutrina política alternativa e ideal.

Assumindo uma função social, a arte do Neo-Realismo em Portugal contribuiu, criticando, para o debate em torno da “arte pela arte”, a favor de uma “arte útil”.

Posteriormente, nos anos 60, num contexto de maior abertura ao estrangeiro, jovens artistas como Lurdes de Castro e René Bertholo aproximam-se das temáticas, dos media e das problemáticas do Nouveau Réalisme francês, onde residem.

Nos finais dos anos 60, sobretudo em Inglaterra e nos EUA, o termo Realismo, associado a um aumentativo – Hiper -, formando a palavra Hiper-Realismo, é utilizado para definir uma corrente da Pintura e da Escultura que pretendem reproduzir na perfeição a verdade da fotografia. As reproduções são tão perfeitas que paradoxalmente nos questionamos se são reais ou ideais. Um exemplo de hiper-realismo é a escultura de um casal de nus abraçados no chão de forte carga erótica da autoria de John de Andrea e intitulada Arden Anderson and Norma Murphy (1972) da colecção Berardo conservada no Museu de Arte Moderna de Sintra.

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