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ArteImprimirDicionário critico

Escultura

Ana Rodrigues

Desde a pré-história até aos nossos dias, que se criam representações plásticas tridimensionais – em vulto ou relevo –, por processos de adição (como o próprio nome indica, pela associação, aglomeração dos materiais) ou subtracção (nos quais a figura surge por se retirarem partes do material, como na técnica do talhe), denominando-se esta Arte Visual de Escultura.

Palavras chave: pedra, arte e técnica, desenho, figura humana

Os escultores utilizaram praticamente todos os materiais que se prestavam a receber uma forma em três dimensões, desde areia, argila, conchas, cristal de rocha, vidro, cera, marfim, jade, ferro, bronze, chumbo, a novos metais, aço, náilon, plásticos, etc, numa contínua busca de experimentação. Não obstante, ao longo da História da Arte Ocidental, a pedra e a madeira, sempre ocuparam um lugar privilegiado.

Considerado desde a Antiguidade Clássica como o material nobre da Escultura, o mármore, pedra dura e, ao mesmo tempo, fácil de trabalhar, permitiu aos escultores dos Estilos do Renascimento, Barroco e Neoclassicismo, demonstrar o seu virtuosismo, fazendo a pedra parecer ter as qualidades tácteis da pele, sugerindo o esvoaçar de panejamentos, até chegar ao ponto de captar, como se de uma máquina fotográfica se tratasse, o momento instantâneo da metamorfose da Dafne num loureiro (Bernini, Apolo e Dafne).

Em Portugal, Espanha e Brasil, a importância da imaginária devocional, geralmente, escultura de madeira encarnada, dourada, estofada e policromada, é preponderante, em quantidade e expressividade, à estatuária de pedra. Na imaginária devocional individualizam-se as imagens, os bustos relicários, as imagens de roca e as imagens dos presépios.

Para trabalhar estes materiais, os escultores recorriam à técnica  da modelação (sobretudo para a cera, argila, barro, gesso, estuque, cimento); ao talhe ou entalhe (sobretudo para a pedra, madeira e materiais afins); à fundição (para o ferro, bronze, chumbo, etc.) e à moldagem (no caso dos materiais já enunciados para a modelação, e ainda o vidro e as matérias sintéticas), para além das novas técnicas exigidas pelos materiais utilizados na escultura contemporânea. Desde o Renascimento que a criação da Escultura passa pelas fases do Desenho, execução do modelo em barro ou gesso, e depois transposição para a obra final através da máquina de pontos, no caso de uma Escultura de pedra. Na verdade, a fundição, praticada desde a Antiguidade, exigia sempre a realização prévia de um modelo noutro material que depois se transporia para o metal. Durante a Idade Moderna, o mais famoso destes processos, nomeadamente entre nós porque fora o utilizado por Machado de Castro na realização da Estátua Equestre de D. José I na Praça do Comércio, é o da cera perdida.

A Escultura encontra-se dividida em quatro grandes sub-categorias: a escultura de vulto, a escultura arquitectónica, a escultura funerária (que inclui os túmulos, campas, mausoléus, cenotáfios, estelas funerárias, placas funerárias, lâminas funerárias e obeliscos) e a heráldica, que trabalha o brasão das famílias nobres em relevo.

Na escultura de vulto, que pode ou não ser de pleno vulto, incluem-se as estátuas, estátuas equestres, imagens, grupos escultóricos, esculturas fontenárias, bustos (bifronte, trifronte), hermas, torsos, cabeças, figuras de proa e figuras de popa, modelos, estatuetas, figurinhas e figuras académicas.

Por escultura arquitectónica entende-se toda a escultura, geralmente aplicando a técnica do baixo, médio e alto-relevo, que se aplica a uma estrutura de arquitectura, distinguindo-se o medalhão, o painel (simples, composto), placa escultórica, lâmina, plaqueta. Na composição dos relevos distinguem-se a moldura, a mandorla, o fundo e o rebordo. Na escultura arquitectónica, incluem-se os retábulos (de corpo único, dípticos, trípticos, polípticos, em arco triunfal) – importantes estruturas dos altares das igrejas católicas –, compostos por ático ou coroamento, corpo, banco e sotobanco. Ainda na subcategoria da escultura arquitectónica, importam os elementos que sustentam o objecto esculpido, como a base, o plinto, a plataforma, a coluna estatuária, pedestal, peanha, escabelo, soco, mísula, embasamento.

Desde a pré-História, que se registam obras escultóricas, documentando a observação directa do artista sobre o objecto visível, ou seja, visando alcançar a Imitação da objecto figurativo e, neste caso, privilegiando a Figura Humana, ou a necessidade de tornar visível ideias metafísicas, por meio de construções alegóricas como a estátua do escultor F. Queirolo, O Desengano (séc. XVIII), ou por meio da Abstracção.

Já no período Aurinhacense se criaram pequenas estatuetas femininas em pedra, no Paleolítico Superior, em argila por processo de moldagem, para além dos importantes frisos de animais insculpidos em grutas ou ao ar livre, como em Foz Côa. A Escultura é, essencialmente, figurativa até ao início do século XX, destacando-se nesta tradição os nomes incontornáveis de Donatello, Miguel Ângelo, Giambologna, Bernini, Canova e Rodin.

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