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VALE DO ZÊZERE


O sítio do Poço do Caldeirão, localizado na margem direita do rio Zêzere, situa-se na freguesia da Barroca, concelho do Fundão.

Num afloramento de xisto que domina o curso do Zêzere, foram descobertas, no ano de 2003, duas rochas historiadas contendo gravuras paleolíticas.

O primeiro conjunto, que aproveita como suporte uma superfície rochosa horizontal, é constituído por três gravuras de equídeos em atitude de salto, como se estivessem a sair do interior da própria rocha. As figurações, de pequena dimensão, apresentam-se intencionalmente incompletas, tendo sido executadas por picotagem.

A segunda rocha, integrando duas figuras animais que se afrontam, inscreve-se numa superfície intensamente boleada, disposta praticamente na vertical. Os animais retratados correspondem a dois caprídeos, definidos apenas através dos seus atributos morfológicos essenciais. A figura que ocupa a parte esquerda do painel é de maiores dimensões, apresentando-se definida por um picotado contínuo, bem marcado; inversamente, a da direita revela-se substancialmente menor, tendo sido estabelecida mediante um picotado menos acentuado e difuso.

À semelhança do ocorrido com todas as demais representações de arte rupestre paleolítica de ar livre conhecidas actualmente, também as gravuras do vale do rio Zêzere confiam a sua atribuição cronológica a critérios analíticos baseados na comparação e na analogia técnico-estilística com os conjuntos rupestres peninsulares mais representativos, nomeadamente com o vale do Côa e Siega Verde. Assim e a partir destes referências, é actualmente proposta uma diferenciação cronológica para os dois conjuntos de gravuras do Poço do Caldeirão: as figurações de caprídeos corresponderão à fase antiga Gravetto-Solutrense das representações do Côa, enquanto que o painel de equídeos da rocha 1, pelas afinidades que revela com as gravuras de Siega Verde, poderia já representar um momento posterior.


COSTALTA

Localizado igualmente na freguesia da Barroca, junto ao Poço do Caldeirão, o sítio de Costalta situa-se, contudo, na margem esquerda do rio Zêzere.

Descoberta no ano de 2008, a jazida integra uma única gravura, executada no alto de um afloramento de xisto que domina o leito do rio. Trata-se da representação de um equídeo completo, com uma crina mal definida, formalizado por uma linha cérvico-dorsal bastante acentuada.

A figura foi realizada por picotagem, com um traçado esparso e pouco vincado, excepto na zona correspondente à linha ventral onde aquele se revela mais profundo e contínuo.
Do ponto de vista cronológico e a partir dos mesmos pressupostos e critérios metodológicos utilizados para as restantes gravuras presentes no vale do Zêzere, a representação do sítio de Costalta deverá paralelizar-se com os seus congéneres equídeos do Poço do Caldeirão.


Para saber mais:
BAPTISTA, António Martinho (2009) – O Paradigma Perdido. O Vale do Côa e a Arte Paleolítica de Ar Livre em Portugal, Porto, Edições Afrontamento, 254 p.

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