A descoberta do complexo de arte rupestre paleolítica do vale do Côa constitui um dos eventos mais marcantes nas pesquisas das últimas décadas no âmbito da arqueologia pré-histórica mundial.
A sua importância para a construção do conhecimento sobre o passado pré-histórico do homem situam-no ao nível de outros locais emblemáticos da arte paleolítica, como sejam, por exemplo, as célebres grutas de Altamira e Parpalló, em Espanha, ou as de Lascaux, Rouffignac, Cosquer e Chauvet, em França.
Graças ao complexo de arte rupestre do Côa, a arte parietal adquiriu um estatuto científico e uma visibilidade inimagináveis há vinte anos atrás. Locais como Siega Verde e Domingo Garcia, em Espanha, e Mazouco, em Portugal, assumem hoje um novo significado e relevância científicas, quando perspectivados e analisados num contexto mais alargado, que tem o vale do Côa como epicentro.
Aliás, o papel mobilizador e impulsionador associado ao estudo do complexo de arte rupestre do vale do Côa está bem atestado na descoberta de novas jazidas de arte paleolítica levada a cabo no decurso dos últimos anos nos vales dos rios Sabor, Douro, Zêzere, Ocreza e Guadiana.
Entretanto, a gruta do Escoural (Montemor-o-Novo), descoberta em 1963, permanece a única jazida em gruta com arte parietal paleolítica conhecida no nosso país.