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Castelo Rodrigo medieval

A Estrada de França, que entra em Portugal a partir de Salamanca, e passa hoje em Vilar Formoso, seguia, em tempos medievais, e talvez mesmo romanos, um itinerário mais setentrional. Cruzando a Ribeira de Tourões na zona de Escarigo, seguia à Vermiosa para aí atravessar a Ribeira de Aguiar. Continuava depois em direcção a Reigada onde uma derivação para norte, por Vilar Torpim, ligava a Castelo Rodrigo. De Reigada seguia a Cinco Vilas, passando o Côa na Ponte Velha de que resta apenas o arranque do lado direito. Subia a Pinhel e daí para Celorico, ganhando a principal ligação a Coimbra - a “Estrada da Beira” – e alcançando o litoral. Por outro lado, seguindo por Trancoso, tomava-se a estrada de Lamego e daqui se alcançava o litoral norte.

A pré-existência deste importante eixo de penetração de viajantes e de comerciantes, mas também de conquistadores e repovoadores, determinou a direcção das primeiras iniciativas reorganizadoras do rei de Leão no Riba Côa. Na década de 1170, D. Fernando II apoia e protege a instalação do Mosteiro de Santa Maria não longe da Ribeira de Aguiar, com monges provenientes do Mosteiro de Moreruela de Zamora, e, ao mesmo tempo, a fundação da Ordem militar de S. Julião do Pereiro (mais tarde conhecida como Ordem militar de Alcântara), por cavaleiros de Salamanca, que fazem construir a sua casa-mãe em Cinco Vilas, num cabeço sobranceiro à “calçada”, imediatamente antes da passagem do Côa. 

Num cabeço destacado, não longe do mosteiro de Santa Maria de Aguiar, o rei de Leão promoveu a criação da vila de Castelo Rodrigo, que se tornaria o principal centro político daquele território. A concessão dos foros, e a delimitação do termo em 1209, constam da carta de povoamento de Afonso IX de Leão, que se deslocou a Castelo Rodrigo por diversas vezes, garantindo privilégios e distribuindo terras aos povoadores da vila. Mais tarde, pelo Tratado de Alcañices, veio integrar o reino de Portugal, tendo D. Dinis, em 1296, confirmado os foros, privilégios e feira franca, ao mesmo tempo que manda fazer obras nas fortificações da vila.
No ponto mais elevado localiza-se o castelo, de planta trapezoidal, e com diversas torres. A povoação era protegida por um muro de cerca com torreões redondos adossados, actualmente muitos deles arruinados ou então ocultos sob construções mais modernas. O traçado urbano no interior da cerca mostra um plano ortogonal que, adaptando-se à configuração do terreno, se desdobra em dois blocos, enquanto a actual rua da Sinagoga permite localizar a antiga judiaria.
No final da Idade Média Castelo Rodrigo denota sinais de despovoamento e o Numeramento de 1527 refere, dentro dos muros, 91 moradores, quando, no lugar de Figueira, que já existia no sopé do monte, se contavam 129 moradores. Para Figueira foram-se mudando os moradores, a feira e o governo municipal, mas só em 1836 foi reconhecido oficialmente o novo estatuto de sede de concelho.

 

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